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Páginas ocultas do diário de Anne Frank são reveladas – e falam sobre sexo

Mas o mais importante é que esses escritos, escondidos por mais de 70 anos, mostram uma faceta literária da judia

A relação de Anne Frank com a sexualidade tem dado o que falar. No início do ano, a imprensa divulgou uma polêmica envolvendo a versão em quadrinhos do clássico livro: pais desaprovaram a leitura da obra na escola por conta da parte que Anne comenta sobre sua vagina. Agora, esse assunto volta à tona com a descoberta de duas páginas do diário, escondidas há mais de 70 anos. A adolescente não só fala de sexo, como faz “piadas sujas” sobre o assunto.

Essas duas páginas recém-reveladas foram escritas no primeiro diário de Anne (que possui uma capa xadrez vermelha), em 28 de setembro de 1942, quando ela tinha 13 anos. Decifrar o que estava escrito era difícil porque Anne cobriu os escritos com papel pardo, e a tecnologia existente não permitia que os arqueólogos tocassem nas páginas cobertas sem danificá-las permanentemente.

Para resolver o problema, as páginas foram fotografadas sobre um fundo luminoso e processadas com auxílio de softwares, que identificou as palavras escondidas atrás do papel pardo (mesmo sem tocar no material original).

A própria Anne trata como “piadas sujas” suas menções sobre desenvolvimento sexual feminino, sexo (“movimentos rítmicos”, segundo ela), contracepção e prostituição. Acredita-se que por isso ela cobriu essa parte do diário.

Mas Anne fala de sexo como uma menina de 15 anos. Cheia de dúvidas e curiosidades — o que já dá para notar na versão conhecida de seu livro —, ela menciona a menstruação com comentários típicos de sua época: “sinal de que a mulher já está madura e pode fazer relações com um homem, mas não se faz isso, claro, antes do casamento”. Ela também cita a prostituição: “Todos os homens, se eles forem normais, vão com uma mulher, uma que abordam na rua para irem juntos. Em Paris há casarões para isso. O Papai esteve lá”.

Especialistas alegam que o mais relevante dessas descobertas é a forma como Anne escreve nas páginas. Peter de Bruijn, um dos parceiros da pesquisa, disse ao The New York Times que a garota tenta escrever em um tom mais literário: “Começa com uma pessoa imaginária que está ouvindo ela contar sobre sexo, então ela cria uma espécie de ambiente literário para escrever sobre um assunto que talvez não se sinta confortável”.

A descoberta foi feita por pesquisadores do museu Casa Anne Frank, do Instituto da Guerra, Holocausto e Estudos sobre Genocídio da Holanda e do Huygens Institute for the History of the Netherlands. Segundo porta-vozes da Casa Anne Frank, o museu disponibilizará o novo texto em seu site, mas só em holandês. Não se sabe ainda quando estará disponível em outras línguas. Vamos ter que esperar um pouco mais para ler todos os pensamentos que Anne queria esconder.