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Passado de glórias

Tribos de mulheres guerreiras e civilizações fantásticas são lendas da Amazônia nunca comprovadas. Mas os segredos da floresta que estão sendo aos poucos desvendados contam instigantes histórias do passado da região. Pesquisas conjuntas do CNPq e do Museu Paraense Emílio Goeldi realizadas entre os rios Xingu e Tapajós mostram que, séculos antes da chegada do homem branco, a Amazônia já era habitada por povos que mantinham intenso comércio muito além dos limites daqueles rios.

Ali foram encontradas estatuetas de barro pintadas de formas tão fantásticas, vasos com apliques de animais e outros vestígios da chamada cultura Santarém, que se pensava estar restrita à foz do Tapajós. “As cerâmicas demonstram o elevado grau de tecnologia, embora esta não possa ser comparada à dos impérios inca e maia”, disse a arqueóloga Solange Caldarelli. As pesquisas mais promissoras são as da serra dos Carajás, no sul do Pará, onde foram localizados 52 sítios arqueológicos.

Um deles, a Gruta do Gavião, há vestígios de ocupação humana desde pelo menos 6 mil anos – até agora, a mais antiga datação da presença do homem na Amazônia.