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Passado e futuro

Ele entrou na sala de Diretor de Redação, pôs os pés sobre a mesa e decretou sem a menor cerimônia: mudaríamos tudo.

Denis Russo Burgierman, diretor de redação

Quem estava aqui na redação da Super em julho de 2000 não esquece. Foi quando apareceu na redação um sujeito que ninguém nunca tinha visto antes: 29 anos, cabeça raspada, camisa de beisebol, grandalhão. Ele entrou na sala de Diretor de Redação, pôs os pés sobre a mesa e decretou sem a menor cerimônia: mudaríamos tudo. Para começar, mandou arrancar as paredes da sala de Diretor de Redação. Começou a revolução.

No começo foi duro. Os leitores mais antigos ficaram revoltados. A equipe, sem saber exatamente o que ele queria, trabalhava feito louca tentando fazer algo que ninguém sabia bem o que era. Mas, com o tempo, nos demos conta do que aquela falta de cerimônia e de formalidade significava de verdade: que cada um de nós tinha a liberdade de fazer a revista dos seus sonhos. Que não precisávamos necessariamente nos prender à tradição, à história. Que frases como “isso é loucura”, “isso nunca foi feito”, “isso não vai dar certo” tinham perdido o sentido.

Trabalhar aqui em 2001, 2002, 2003 foi duro, mas delicioso. Podia tudo, qualquer idéia tinha chance de vingar. Quer ir para a Antártida? Boa viagem. Escrever um livro? Boa sorte. Inventar uma revista nova? Opa: Mundo Estranho, Vida Simples, Aventuras na História, Sapiens, Flash–back, sejam bem- vindas. A Super virou um pouco aquilo que a Realidade, o Pasquim ou o Jornal da Tarde foram em outros tempos: um lugar criativo, onde se valoriza a experimentação, a novidade, a ousadia.

Pois o sujeito que começou essa revolução, o Adriano Silva, está indo embora. Desde 2005 ele já não dirigia a Super, tarefa que temerariamente deixou para mim. Mas, como diretor do Núcleo Jovem da Abril, continuava meu chefe, sentado logo aqui ao meu lado. Agora vai para outras praias, iniciar outras revoluções. Seu espírito continua vivo aqui.

Mas agora chega de recordações. A Super não é revista de se prender ao passado. Prova disso é a SuperTech, uma edição especial digna do adjetivo, que vai desvendar o mundo da tecnologia e mostrar o que o futuro nos reserva. Se você é assinante, a SuperTech chegou junto com esta edição, de presente. Se não é, procure nas bancas. O público brasileiro bem que merecia uma edição de tecnologia realmente bem-feita…

Grande abraço!