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Relógio: o tique-taque implacável

Criado para tornar a existência mais fácil, o relógio assumiu o controle de todas as atividades humanas.

Por Raquel Ribeiro Atualizado em 3 dez 2016, 12h50 - Publicado em 14 out 1999, 22h00

“É tarde! É tarde! É tarde, é tarde, é tarde!” O Coelho Branco, personagem do livro Alice no País das Maravilhas, do inglês Lewis Carroll (1832-1898), entrava em pânico toda vez que olhava o relógio. Seu desespero era um símbolo do que esses objetos, recém-incorporados ao cotidiano, estavam fazendo com a cabeça dos nossos bisavós, no século 19. Mais de 100 anos depois, é impossível pensar a existência sem o tique-taque. Ele assinala a hora de acordar, de dormir, de comer – e todas as demais atividades humanas.

A necessidade de uma maneira única de medir o tempo deu origem aos primeiros relógios de sol, no Egito, há cerca de 5000 anos. Os aparelhos mecânicos, com ponteiros, surgiram na China, no século 8. Na Europa, começaram a ser usados por volta do ano 1000, quando os monges católicos decidiram que as atividades sérias, como a oração, deveriam ter hora para começar e para acabar. Três séculos mais tarde, apareceram os relógios das igrejas, que anunciavam a hora da missa.

No século 19, a Revolução Industrial adotou como lema a expressão “tempo é dinheiro”. O relógio se tornou peça essencial nas linhas de produção das indústrias. Para dividir e regular a produção em série, era preciso contar até os segundos. O tique-taque tomou de assalto o mundo, definitivamente.

Relógio: o tique-taque implacável
iStock | lchumpitaz

A hora de cada um

Na meia-noite de 31 de dezembro de 1999, um grupo de milionários estourou champanhe duas vezes. Uma vez em Paris e outra em Nova York, depois de 3 horas de viagem em um avião supersônico. Isso é possível pela diferença de fuso horário – a metrópole americana está 5 horas mais cedo que a capital francesa. Os fusos horários são linhas imaginárias instituídas em 1884, para que o mundo inteiro acertasse os seus relógios. Eles dividem a Terra em 24 faixas, como os gomos de uma laranja. Por convenção, a hora zero é definida pelo meridiano que passa pelo Observatório Astronômico de Greenwich, na Inglaterra.

A casa do ritmo

Todo relógio tem o mesmo princípio: um dispositivo que vai e vem num certo ritmo, chamado oscilador, e um contador. O oscilador é a alma do relógio; é ele que dá cadência ao tique-taque. No caso dos relógios d’água e das ampulhetas, o furo faz as vezes de oscilador. O contador marca as oscilações e move os ponteiros. Nos relógios mecânicos, o oscilador vai e volta dez vezes a cada minuto. As engrenagens do relógio contam até dez e o ponteiro dos minutos anda uma casa. Quem aciona o oscilador é uma mola interna, que é enrolada quando você dá corda e vai se desenrolando aos poucos.

Breve história do relógio

Como evoluiu a marcação das horas

3500 a.C. – Ponteiro de sombra
O relógio de sol foi inventado no Egito, há 5500 anos. Quem marca as horas é a sombra projetada pela haste. Essa sombra se desvia ao longo do dia de acordo com a inclinação do Sol. Havia um problema óbvio: os dias nublados e as noites.

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1500 a.C. – Gotas do tempo
O relógio de água também é originário do Egito antigo. Seu princípio é o escoamento da água de um vaso com marcas. O nível da água no vaso assinala as horas.

350 a.C. – O primeiro portátil
Ao se trocar a água pela areia, surgiu a ampulheta – dois vasos de vidro ligados por um buraquinho. A invenção é atribuída a Platão (427-347 a.C) ou a Aristóteles (384-322 a.C.).

700 d.C. – Vanguarda oriental
O primeiro relógio mecânico foi fabricado na China. Seu funcionamento consistia em um complicado sistema de rodas d’água, que acionavam um contador.

1656 – Pra lá e pra cá
Inventado na Alemanha, o relógio de pêndulo marca as horas pela oscilação de um peso na ponta de uma vara que vai e volta, levada por um sistema de molas.

1933 – Cristal da hora
No relógio de quartzo, o tempo é marcado pela oscilação de um pequeno cristal de quartzo ao receber uma corrente elétrica.

1948 – Batuta atômica
O primeiro relógio atômico foi construído na França. Hoje esses aparelhos, que atrasam menos de 1 segundo a cada 3 milhões de anos, dão a horta certa no mundo inteiro. Um segundo, para para os relógios atômicos, corresponde a 9 192 631 770 oscilações de um átomo de Césio-133, um metal radioativo.

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