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Saul

Um rei que não fugia à luta - e preferiu o suicídio a virar prisioneiro dos filisteus

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h16 - Publicado em 16 fev 2013, 22h00

Maria Fernanda Vomero

Conforme a tradição judaica, Saul foi o primeiro rei de Israel, depois de uma sequência de juízes na liderança política, militar e religiosa. A transição para a monarquia, porém, não teria sido nada fácil. Diz o texto bíblico que Saul enfrentou em seu reinado (1049 a.C. – 1007 a.C.) 4 povos: amonitas, filisteus, edomitas e amalequitas. Em cada um desses conflitos, revelou-se um líder passional. Desentendeu-se em vários momentos com seu filho Jônatas, subcomandante das tropas, e perseguiu Davi – incomodado com o fato de ser menos popular. A última batalha do rei teria ocorrido no monte Gilboa, contra os filisteus. Para não virar prisioneiro, Saul se suicidou – e entrou para a história dos judeus como um de seus mais valorosos guerreiro.

“O advento da monarquia teve motivação militar”, afirma o teólogo e pesquisador Carlos Arthur Dreher, autor de A Constituição dos Exércitos no Reino de Israel. Com a instituição de um monarca, diz Dreher, instituiu-se também um exército permanente composto sobretudo de mercenários, em sua maioria estrangeiros. “Essa tropa regular deu ao rei um poderio enorme, já que os soldados eram pagos diretamente por ele com a arrecadação de tributos feita nas aldeias.”

Amale… Quem?

Os amalequitas eram povos nômades, provavelmente originários da Arábia, que habitavam o deserto de Neguev e a região montanhosa de Seir. Tudo leva a crer que foram os primeiros a se declarar inimigos dos israelitas – tendo-os atacado, sem motivo aparente, logo após a fuga do Egito (leia mais na pág. 10). Trechos do livro bíblico Deuteronômio sugerem que, ao agredir os extenuados e vacilantes hebreus, os amalequitas feriram as leis básicas da hospitalidade beduína. Independentemente de terem ou não quebrado esse suposto “protocolo”, eles atormentaram os israelitas desde aquela época até os tempos de Saul e Davi. Seu líder, segundo o Gênesis, era Amaleque, filho do primogênito de Esaú com sua concubina Timna. Ou seja: tataraneto de Abraão.

Coadjuvante – Lísias
Adversário chique, integrante da aristocracia selêucida.

Nem sempre os inimigos dos israelitas no Velho Testamento eram liderados por homens brutos. Foi o caso de Lísias, general selêucida das batalhas de Emaús, Bete-Zur e Bete-Zacarias (leia mais nas págs. 58 e 59). Em vários registros históricos, ele é descrito como aristocrata, integrante da família real. Supõe-se que tenha nascido e vivido na Síria, então parte do Império Selêucida. Foi governador daquela região e tutor de Antíoco 5º, filho do imperador. Não se sabe quando Lísias nasceu, apenas quando morreu: em 162 a.C., assassinado por ordem de Demétrio, pretendente ao trono selêucida. Segundo o historiador Flávio Josefo (37 d.C.-100 d.C.), sua missão nas campanhas empreendidas contra os israelitas era “arrasar Jerusalém e destruir a nação judaica”. Embora sempre estivesse à frente de um exército mais poderoso que o dos inimigos, fracassou nas duas primeiras tentativas. Na terceira, massacrou os oponentes. – JFB e RL

Coadjuvante – Vespasiano
General implacável, imperador de Roma e carrasco dos judeus.

Foi no campo de batalha, comandando a invasão da Bretanha, em 43 d.C., que o romano Vespasiano (9 d.C.-79 d.C.) fez fama de general implacável. Mais tarde, em 66 d.C., consolidaria essa imagem liderando uma campanha contra rebeldes judeus. Nos quase 30 anos entre uma guerra e outra, foi cônsul e governador da África. O embate iniciado em 66 d.C. nem havia terminado quando Nero, então imperador, se suicidou. Os exércitos das províncias do Egito e da Judeia proclamaram Vespasiano imperador. E uma de suas primeiras medidas foi concluir a guerra contra os revoltosos judeus, investindo contra Jerusalém ao lado de seu filho Tito (leia mais nas págs. 60 e 61). Com a morte de Vespasiano, Tito viraria imperador. E realizaria um dos projetos do pai: a construção do coliseu de Roma. – JFB e RL.

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