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Social – A diva do relaxante

Da pobreza na favela do Catrambi, a carioca Zica construiu uma rede de 11 salões

Wilian Vieira

O grande dilema de Heloísa Helena de Assis sempre foi o cabelo. Desde a infância na favela do Catrambi, próxima à Tijuca, no Rio de Janeiro, Zica queria domar seus cachos. Ainda jovem, fez um curso de cabeleireira na paróquia da comunidade e passou a testar diversas misturas para conseguir o efeito desejado, usando as próprias madeixas como cobaia. Muitas foram as quedas de cabelo. Até que uma delas deu certo a do chamado Super-Relaxante, que diminuía o volume dos cachos sem alisá-los nem maltratá-los. Eles ficavam naturais, mas com um caimento mais suave. Isso quando ela já passara dos 30 anos. Zica não perdeu tempo. Conseguiu empréstimo com o irmão, juntou com o dinheiro do Fusca do marido e abriu em 1993, no quintal, o primeiro salão, o Beleza Natural, no subúrbio do Rio. Logo as filas se formaram. Ficou rica. Em 2006, tinha 4 salões. O atendimento foi dividido numa linha de produção de 7 etapas para dar conta da clientela, com direito à distribuição de senha eletrônica. Hoje, além dos 9 “institutos” no Rio, o de Vitória e o de Salvador, frequentados todo mês por 80 mil clientes, Zica tem sua própria indústria de cosméticos, com laboratório de pesquisas e tudo, que produz 50 toneladas de 25 diferentes produtos todo mês. Também criou a “Ziquinha”, personagem que dá nome aos produtos de sua linha infantil. E, boa de marketing, Zica segue inspirando outros empreendedores em entrevistas e palestras dadas Brasil afora.