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Texto chinês do século 10 a.C. pode ser o primeiro registro de uma aurora

"Luz de cinco cores". É assim que o fenômeno foi descrito. Até então, menção mais antiga de uma aurora era do século 7 a.C., feita por astrônomos assírios.

Por Rafael Battaglia Atualizado em 27 abr 2022, 15h48 - Publicado em 27 abr 2022, 15h46

Uma pesquisa publicada na revista Advances in Space Research revelou um candidato a registro mais antigo de uma aurora: uma descrição de uma “luz de cinco cores” em um manuscrito chinês do século 10 a.C..

O manuscrito em questão chama-se Anais do Bambu, um conjunto de registros judiciais chineses escritos em tiras de bambu – e um dos poucos registros do período mais antigo da história chinesa. Estima-se que a possível aurora tenha acontecido entre 977 a.C. e 957 a.C., mas a data exata é incerta.

Os Anais foram encontrados em 279 d.C., escondidos em uma tumba próxima à cidade de Weihui, nordeste da China. A identificação de uma aurora nos textos originais demorou porque uma tradução do século 16 usou a palavra “cometa” para retratar o fenômeno da luz de cinco cores.

Se os cientistas confirmarem que essa observação foi mesmo de uma aurora, será um registro 300 anos mais antigo do que o que se sabia até então: entre 679 a.C. e 655 a.C., astrônomos assírios inscreveram, em pequenas tábuas, registros de possíveis auroras. Em 567 a.C., outra menção a uma aurora foi encontrada no diário do rei babilônico Nabucodonosor II.

Um fragmento dos Anais do Bambu.
National Diet Library of Japan/Reprodução

Traduzindo o fenômeno

A aurora é um fenômeno luminoso gerado nas camadas mais elevadas da atmosfera (400 a 800 quilômetros de altura) e observado com maior frequência nas regiões próximas aos polos do planeta. No Polo Norte, chama-se aurora boreal; no Sul, austral.

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Ela acontece quando o vento solar (chuva de partículas com carga elétrica negativa provenientes do Sol) chegam às vizinhanças da Terra e são atraídas pelos polos sul e norte do campo magnético do planeta. Ao alcançarem a atmosfera, essas partículas se chocam com as moléculas de oxigênio e nitrogênio e interagem com elas – num processo semelhante à ionização de gases que faz acender o tubo de uma lâmpada fluorescente.

Esses choques liberam radiação eletromagnética em diferentes comprimentos de onda, num processo que se estende por até dois mil quilômetros. É por isso que auroras são coloridas. A luz emitida pelo contato com o nitrogênio tem um um tom avermelhado, enquanto a do oxigênio produz um tom esverdeado (ou também próximo do vermelho).

Se as auroras acontecem nos polos da Terra, como é que os chineses visualizaram o fenômeno três mil anos atrás? Naquela época, o polo norte magnético terrestre estava mais inclinado para a região da Eurásia (bloco de terra que compreende Europa e Ásia), a cerca de 15 graus mais perto da China central do que hoje. Dessa forma, é possível que povos da China central tenham presenciado o espetáculo colorido.

Segundo os cientistas que participaram da pesquisa, documentar antigos fenômenos (como a possível aurora dos Anais do Bambu) é importante pois ajuda a modelar padrões de longo prazo de eventos espaciais e da atividade solar.

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