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“Todo mundo saberá meu nome. Vão se lembrar de mim”

Andreas Lubitz sofria de depressão. Até que, no dia 24 de março de 2015, decidiu se matar – e levar junto seus passageiros.

A vida parecia auspiciosa para Andreas Lubitz, copiloto da Germanwings, uma empresa aérea de baixo custo pertencente ao grupo Lufthansa. Aos 27 anos, ele tinha um bom emprego e um apartamento de 120 metros quadrados. Por trás da aparência bem-sucedida, contudo, havia uma mente atormentada. Vítima de depressão crônica, Lubitz decidiu pôr fim à própria vida de maneira morbidamente memorável. Em uma terça-feira, 24 de março, ele auxiliava a pilotagem de um Airbus A320, indo de Barcelona, na Espanha, para Düsseldorf, na Alemanha. Além dos dois pilotos, havia 144 passageiros e quatro tripulantes a bordo. Foi essa a ocasião escolhida por Lubitz para mergulhar em direção à morte.

Trancado no cockpit, o copiloto jogou o Airbus nos Alpes.

Trancado no cockpit, o copiloto jogou o Airbus nos Alpes. (Stringer/Getty Images)

Às 9 e meia, após 20 minutos de viagem, o o comandante saiu da cabine, provavelmente para ir ao banheiro, deixando Lubitz sozinho no comando. Ao retornar, três minutos depois, o comandante encontrou a cabine trancada. “Abra a porta”, ordenou, com o tom de voz calmo, pelo interfone de fora do cockpit. Lubitz não respondeu.

No momento em que o comandante saíra da cabine, às 9 e meia, Lubitz apertou o botão com o comando LOCK (“trancar”) no painel de controle. Agora, ninguém poderia abrir a porta pelo lado de fora. Até o 11 de Setembro, esse botão não existia. Foi criado para impedir que terroristas entrem na cabine. Mas, no voo da Germanwings, a medida de segurança saiu pela culatra.

Após trancar a porta, Lubitz deu início ao mergulho. A aeronave começou a descer, com as turbinas ajustadas para a velocidade de 700 quilômetros por hora. Os passageiros não perceberam que estavam prestes a morrer (até porque esse ritmo não é tão diferente da velocidade normal de cruzeiro, 900 km/h). Às 9 horas e 39 minutos, as gravações registram um forte ruído metálico contra a porta blindada da cabine. Provavelmente, era o comandante tentando arrombar a porta. Os passageiros devem ter ouvido aqueles sons estranhos, mas continuavam em silêncio. E Lubitz também.

A descida durou dez minutos. Durante todo esse tempo, o copiloto não disse uma única palavra. Por volta das 9 horas e 41 minutos, gritos de desespero e horror estouraram lá atrás. Segundo a investigação conduzida pelas autoridades francesas, foi apenas nesse instante que os passageiros perceberam o desastre iminente. Segundos depois, o avião explodiu contra a montanha.

Os passageiros só se deram conta da situação nos últimos segundos antes do impacto.

Os passageiros só se deram conta da situação nos últimos segundos antes do impacto. (imagem Principal Associated Press / Zoom Lionel Bonaventure / AFP/Montagem sobre reprodução)

“E todos vão se lembrar de mim”

Desde criança, Lubitz era fanático por aviação. Seu grande sonho era se tornar um capitão da Lufthansa. A depressão, contudo, sempre o acompanhara. Em 2008, a agência psiquiátrica responsável por avaliar a saúde mental dos aviadores alemães revogou temporariamente sua licença para voar. Algum tempo depois, a habilitação foi devolvida, com a condição de que ele fizesse testes regulares. Em 2013, conseguiu ser aceito como copiloto na Germanwings.

Poucos meses antes do desastre, contudo, a depressão voltou a atacar. O psiquiatra de Lubitz concluiu que ele deveria parar de voar. Andreas escondeu da companhia a opinião do médico. Em junho de 2014, contudo, teria de passar por uma reavaliação médica feita pela própria companhia. Para não ter a licença cassada, resolveu acabar com a própria vida antes. “Vou fazer algo que mudará o sistema”, disse a uma ex-namorada alguns meses antes do desastre. “Todo mundo saberá meu nome. Vão se lembrar de mim.”