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Tristeza americana

Esse é o caso de F. Scott Fitzgerald, cuja obra é uma das crônicas mais vívidas dos ¿loucos anos 20¿ nos Estados Unidos.

Francisco Botelho

Alguns autores têm uma relação tão visceral com o tempo em que viveram que, de certa forma, ajudam a reinventá-lo. Esse é o caso de F. Scott Fitzgerald, cuja obra é uma das crônicas mais vívidas dos “loucos anos 20” nos Estados Unidos. Fitzgerald foi uma das figuras míticas da “geração perdida” – o grupo de artistas e intelectuais americanos que, após a Primeira Guerra Mundial, retratou o esgotamento dos antigos ideais de seu país e buscou, na boemia e na literatura, uma alternativa para o árido materialismo de seu tempo.

O Grande Gatsby, obra-prima de Fitzgerald, foi considerado por muitos como “o grande romance americano” – e colocou seu autor entre os maiores da literatura do século 20. Num estilo denso e sensorial, cuja profusão de imagens tem o efeito de uma dança hipnótica, o livro descreve o cotidiano vagamente onírico de um grupo de jovens abastados na costa leste dos Estados Unidos – personagens elegantes e infelizes, que se movem através da vida sem nenhum objetivo aparente, perdidos em meio a acordes de jazz e taças de champanhe. Jay Gatsby, o misterioso e solitário novo-rico que se apaixona por uma aristocrata, é o retrato da ilusão e do desespero da juventude: sua frustrada busca pela felicidade encarna, de certa forma, o espírito de um mundo turbulento e exausto, cujos sonhos se esvaziaram. Nas páginas desse romance, Fitzgerald ajudou a transformar a “Era do Jazz” em uma ambígua Idade do Ouro, cheia de energia e glamour, mas perpassada pela sombra de uma lânguida melancolia.