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Cadê o bacalhau?

Barbara Axt

Você já imaginou, um dia, descobrir que não existem mais bolinhos de bacalhau em nenhum bar da cidade? Ou viajar para Portugal e não poder comer aquelas postas gigantescas do peixe, com batatas e um monte de azeite?

Pois segundo a ONG ambiental World Wildlife Fund isso pode acontecer muito mais rápido do que você imagina: nos últimos 30 anos, o estoque global do bacalhau foi reduzido em 70%. Se a pesca continuar no ritmo atual, em 15 anos não vai sobrar mais nenhum deles para contar a história.

O bacalhau praticamente desapareceu das águas da Groenlândia e do Canadá. A última reserva importante que restou no mundo fica no Mar de Barents, uma região que cobre parte do litoral norueguês e russo. E, para que os peixes não acabem de vez, é preciso que os governos desses países tomem atitudes urgentes para limitar a pesca e garantir sua reprodução.

A pesca predatória também tem afetado o tamanho dos bacalhaus. Os exemplares menores, menos procurados, conseguem escapar das redes com mais facilidade. A seleção natural se encarrega de fazer com que esses “bacalhauzinhos” coloquem mais descendentes no mundo do que seus irmãos corpulentos e mais valorizados economicamente. Do jeito que a coisa vai, quando você contar aos seus netos que comia bacalhau no almoço de Páscoa, eles vão achar que a idade começou a afetar sua memória.

Outras espécies comprometidas

Esturjão Beluga

As ovas desse peixe dão origem ao melhor e mais caro caviar do mundo (são 3 mil dólares o quilo). O número de esturjões anda muito abaixo do suficiente para garantir a renovação da espécie. Uma fêmea pode pesar até 900 quilos e carrega mais de 10 milhões de ovas, mas leva até 20 anos para se reproduzir

Baleia

A baleia também sofre os efeitos da pesca e caça predatórias. Uma das espécies mais procuradas é a Balenoptera acutorostrata. No Japão, durante a Segunda Guerra, elas eram fonte barata de proteína. Hoje, viraram luxo e restaurantes cobram fortunas por uma porção de baleia à dorê, frita ou cozida no vapor

Atum

A situação mais crítica é a do atum-azul – um prato de sashimi desse peixe chega a custar 80 dólares. O albacora-bandolim, muito importante comercialmente, está indo pelo mesmo caminho. Ou seja, talvez um dia aquela latinha de atum que você leva na mochila quando vai acampar vire um artigo de luxo