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Carta ao Leitor – A Felicidade são os outros

A felicidade alheia é mais importante para a gente do que parece. Como bons animais sociais, conseguimos sentir o que os outros estão sentindo.

“Prezado amigo alexandre, sou residente de um lar de idosos da Fundação Vovolândia São Pedro [que fica em Estrela, RS] e assino a Superinteressante. Quando o senhor tiver uma oportunidade para ir à Rússia, ­ficaria grato com um cartão postal, selado e carimbado, sem envelope. É para a minha coleção. Cordiais saudações, Wolfgang Baumann.”

Como não devo visitar a Rússia tão cedo, coloquei a mensagem no meu Facebook pessoal, para ver se algum amigo ou amigo de amigo poderia ajudar o seu Wolfgang. Achava que, desse jeito, daria para encontrar pelo menos uma boa alma que estivesse na Rússia, ou que morasse lá, e que estivesse a fim de fazer um favor a um desconhecido. Mas não foi o que aconteceu.

Em vez de uma boa alma, apareceram dezenas. E não só da Rússia. Muita gente que leu o post e simplesmente estava no exterior respondeu dizendo que mandaria um cartão só para aumentar a coleção de postais e ver se
ele ficava ainda mais feliz.

No fim, a coisa acabou funcionando como um experimento involuntário, cujo resultado mostrou que, sim, a felicidade dos outros é mais importante para a gente do que parece – e do que as injustiças, desigualdades e indiferenças que testemunhamos o tempo todo nos levam a crer. Como bons animais sociais, temos mecanismos que nos fazem sentir o que os outros estão sentindo.

Ou seja: se você sabe que está deixando alguém contente, vai ficar contente também. É mais ou menos como Paul McCartney canta na The End, do Abbey Road: And in the end/The love you take/Is equal to/The love you make. (“No fim das contas, o amor que você recebe é igual ao amor que você dá”).       

Nossa reportagem de capa, coincidentemente, é sobre isso: as dicas da ciência para que você tenha uma vida mais feliz. A matéria é obra do casal de jornalistas Fred Di Giacomo e Karin Hueck (que também
é editora da SUPER).

Eles entendem do riscado. A Karin e o Fred começaram a pesquisar o assunto há quatro anos. Falaram com médicos, psicólogos e gente que mudou radicalmente de rumo (coisa que eles também fizeram). Tudo para decifrar os mecanismos por trás da felicidade e, claro, para alcançar uma vida mais plena (coisa que, ao que tudo indica, eles conseguiram).

O filhote mais bacana da empreitada dos dois foi o Glück Project, um site todo dedicado ao tema. E agora, como um encerramento dessa aventura jornalística e existencial, eles assinam a reportagem principal desta edicão. Aproveite.

Ah: se for viajar para fora, manda um postal para o seu Wolfgang – selado e carimbado, sem envelope 😉