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“Deve haver suficiente razão na escolha de Deus entre um Universo e outro”, Leibniz

Quando você compartilha vídeos engraçadinhos de gatos ou destrói doces na tela do celular, provavelmente nem desconfia que tudo isso começou lá no século 17. Falecido há quase 400 anos, Leibniz está por trás do sistema numérico binário, que mais tarde seria convertido em bytes e usado na programação dos computadores que usamos hoje.

Assim como Descartes, Leibniz ficou famoso por seus estudos matemáticos, mas também contribuiu para o pensamento filosófico. Seu brilhantismo foi tão precoce que Leibniz chegou a ter um pedido de doutorado recusado, em 1666. Aos 20 anos, o pensador foi considerado “jovem demais” pela Universidade de Leipzig, mas não pela de Altdorf, para onde se mudou e conseguiu o título ainda naquele ano. O pensador costuma ser lembrado como um otimista. Segundo seus escritos, nosso mundo é o melhor entre os mundos possíveis, pois foi criado à semelhança de um organismo perfeito, Deus, que segue uma lógica racional. Em busca de uma “matemática divina” capaz de explicar tudo, Leibniz disse que Deus escolhe sempre os caminhos que permitam haver o máximo de bem no mundo. Seguindo a teleologia de Aristóteles, que procura analisar os propósitos de tudo o que acontece, Leibniz defendeu que Deus permite a existência do mal e do sofrimento como estágios para um bem superior – como a sensação de alívio após aquela fase particularmente difícil do viciante Candy Crush.

Explica o porquê?

O racionalista Leibniz formulou um princípio fundamental para o desenvolvimento da ciência que explica por que nunca paramos de buscar respostas para as questões existenciais. É chamado de o Princípio da Razão Suficiente, formulado pelo filósofo-matemático no século 17:

1. Segundo o princípio, há explicação para tudo. Isto é, para cada verdade, deve haver sempre uma explicação de ela ser assim e não de outra forma. Por que existe alguma coisa em vez de nada? Fazemos instintivamente esse tipo de pergunta.

2. Em Por que o Mundo Existe?, o filósofo e jornalista Jim Holt usa o Princípio da Razão Suficiente para mostrar que, se a premissa está certa, então deve haver uma explicação de por que o mundo existe — quer saibamos ou não.

3. Mesmo contestado, o Princípio de Leibniz é usado por nós o tempo todo, o que pode significar que buscar uma explicação para a origem das coisas e dos acontecimentos seja inerente à racionalidade humana.