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“É bem mais seguro ser temido do que amado”, Maquiavel

Maquiavel escreveu O Príncipe, uma obra-prima da política, mas não se deu bem na vida pública. Depois de 14 anos trabalhando como secretário na Segunda Chancelaria de Florença, perdeu seu cargo quando a família Médici, sua inimiga, voltou ao poder em 1512. Foi exonerado e exilado em sua fazenda. Acabou a vida longe da política.

No livro, cujas fortes ideias forjaram o adjetivo “maquiavélico” para definir um indivíduo que busca o poder sem escrúpulos, o historiador e poeta resolveu romper com a tradição idealista, que remonta a Platão, e mostrar como as coisas funcionam na prática. Inspirou-se em César Bórgia, que passou pela política, Igreja e Exército sempre com perfil pragmático. Para Maquiavel, o líder ideal deveria ser perspicaz como a raposa e feroz como o leão. Ele poderia fazer inimigos e promover punições mais duras desde que estivesse em busca de um bem maior. Mas o líder defendido por Maquiavel não podia ser um louco desvairado: tinha de agir com sabedoria. O autor nunca pregou planos diabólicos, como assassinatos políticos, ou artimanhas que lhe classificariam como maquiavélico. Foram os leitores que interpretaram a receita de Maquiavel como uma espécie de passe livre para a maldade. A clássica frase “Os fins justificam os meios” resume bem sua ideia, mas não foi escrita pelo autor — é um dito popular.