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Espécie extinta: É um dragão ou um lagarto?

O kawekaweau parecia fruto da imaginação dos aborígines da Nova Zelândia. Mas um exemplar que estava esquecido havia mais de um século em um museu de Marselha, na França, comprovou a existência do misterioso réptil

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 19h06 - Publicado em 31 out 2004, 22h00

Guadalupe Fernandez Presa

Uma antiga lenda da tribo maori, da Nova Zelândia, falava de uma misteriosa criatura chamada kawekaweau, uma espécie de pequeno dragão que se escondia sob árvores caídas e que saía do seu esconderijo para atacar pessoas incautas. Esse dragão, na verdade, seria um lagarto com um tamanho muito superior ao de outras espécies, cerca de 60 centímetros de comprimento. Os aborígines de Ilha do Norte afirmavam que, em 1870, o chefe da tribo urewera havia capturado um exemplar vivo do kawekaweau, encontrado sob a casca de uma árvore já morta na região central da Nova Zelândia. Ele o descreveu como um animal pardo, com listras vermelhas e espessura de um punho humano. Apesar do relato feito pelo líder da tribo, nenhum espécime foi preservado, e os cientistas passaram a considerar que o lagarto gigante nada mais era que uma criatura lendária e fantástica, fruto da imaginação dos maoris.

A comprovação da existência desse animal viria só em 1986, quando um grupo de pesquisadores publicou um artigo anunciando a “descoberta” de uma pele antiga de um réptil empalhado que estava esquecido havia muito tempo no Museu de História Natural de Marselha, na França. Amarrado a uma tábua, sem qualquer identificação ou registro sobre sua origem, esse exemplar único, com as características descritas pelo chefe da tribo urewera, havia passado despercebido no museu francês por mais de um século. A surpreendente descoberta pôs fim às dúvidas sobre a existência do kawekaweau, mas levantou novas questões. Qual seria a origem do animal empalhado? Como ele foi parar no museu? Mesmo sem saber responder a tais perguntas, os pesquisadores se detiveram a examinar o maior lagarto que já haviam visto, classificando-o, finalmente, sob o nome científico de Hoplodactylus delcourti.

A maioria das informações sobre o kawekaweau vem de suposições feitas a partir de dados observados em espécies similares. Sabe-se que os répteis da família Hoplodactylus apresentam características essencialmente terrestres e cores que variam entre marrom, cinza, amarelo, preto e, em alguns casos, verde ou vermelho-escuro. De hábitos noturnos ou diurnos, a maioria desses répteis passa a maior parte do tempo tomando banho de sol. Em busca de comida, eles possuem grande habilidade para escalar árvores e arbustos.

No caso dos Hoplodactylus delcourti, presume-se que foram importantes predadores e que consumiam uma ampla variedade de alimentos, inclusive plantas, o que lhes conferia a função de polinizadores dentro do ecossistema neozelandês. Infelizmente, essa espécie desapareceu antes que pudesse ser feito qualquer estudo sobre seu comportamento ou suas características biológicas. Tampouco se sabe as causas da sua extinção. Os cientistas acreditam que mudanças dramáticas no habitat e o impacto da introdução de predadores como ratos, doninhas e gatos, desde o início da colonização da Nova Zelândia, há mais de 1000 anos, tiveram um papel significativo no desaparecimento desse que é considerado o maior lagarto do mundo.

Kawekaweau

Nome científico: Hoplodactylus delcourti

Ano da extinção: 1870

Habitat: Ilha do Norte, Nova Zelândia

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