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Incompetência ecológica

As algas venenosas, por si só, não são boas nem más.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 19h01 - Publicado em 30 set 2000, 22h00

As algas venenosas, por si só, não são boas nem más. Elas moram em águas doces ou salgadas, em toda parte e normalmente não prejudicam a qualidade dos mananciais. O perigo vem com o desleixo – quando se despeja em lagoas ou represas, sem nenhum cuidado, qualquer tipo de lixo, especialmente esgotos e resíduos agrícolas. A água, então, se enche de nitrogênio e fósforo, os pratos prediletos das algas tóxicas e elas se reproduzem até tomar conta do hábitat. É o que está acontecendo nas represas de São Paulo “Das 80 espécies que registramos, 20 são potencialmente tóxicas,e três, muito comuns, são mortais”, disse à Super a pesquisadora Célia Leite Sant’Anna, do Instituto de Botânica, na capital paulista. As algas produzem neurotoxinas que atacam os músculos do pulmão, causando asfixia, e epatotoxinas, que necrosam o fígado. Não há, ainda, registro de mortes, mas o risco não pode ser desprezado. Compare, agora, com a Itália, onde as algas tóxicas já foram um problema na bela laguna que separa Veneza do Mar Adriático.

Os italianos não só controlaram a praga como tiram proveito dela. Nas sacolas de compras da grife francesa Occitane, por exemplo, o papel é feito de massa de algas, em lugar da polpa de madeira tradicional. Isso, sim, é um atestado de competência ecológica.

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