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Meio ambiente e desenvolvimento

Artigo do deputado federal Fábio Feldmann, analisando a eterna briga entre meio embiente e desenvolvimento.

Fábio Feldmann

A guerra do Golfo Pérsico é o exemplo mais recente, notório e infeliz do novo status da natureza na organização das sociedades humanas. O derramamento de óleo no golfo é apenas o visual impactante do momento. Na verdade, ele é uma pequena parte da desordem ambiental que a guerra introduzirá na região do conflito, comprometendo a vida das comunidades por um tempo não previsível, além de todas as tragédias pessoais e diretas inerentes à situação. A relevância dada ao desastre ecológico associado à guerra mostra que a variável meio ambiente já é reconhecida como parte intrínseca das questões econômicas-socias e, portanto, é inevitável colocá-la como condicionante da própria idéia de progresso.

As transformações necessárias na ordem mundial, a resolução de problemas nacionais e planetários como o estado de miséria, a fome, a produção de alimentos, a vida nas cidades, a extinção de recursos naturais, a própria sobrevivência humana (vide o alerta dado pelo buraco na camada de ozônio) informa-nos, diariamente, de que é preciso buscar novos paradigmas de organização social, novos modelos de desenvolvimento que, a par de quaisquer opções ideológicas, tenham um direcionamento claro: deverão considerar o equilíbrio ecológico como parâmetro fundamental. A grande questão colocada neste final de século pródigo em esgotamento de fórmulas é a necessidade do desenvolvimento em si, tal como percebemos hoje.

Ou seja, é preciso perguntar o porquê da evolução tecnológica a qualquer custo, é preciso conectar a auto-realimentação do consumo, é preciso computar o grau de destruição envolvido na aplicação de certas tecnologias para benefícios tão restritos e localizados. Apesar da complexidade do tema, é possível enxergar de forma cristalina na atual concepção de desenvolvimento uma de suas fraquezas intrínsecas: o seu horizonte é muito estreito e suas razões de uma única geração, às vezes nem isso.

Perde-se nela o sentido da cadeia da vida, das ligações imemoriais de cada uma das manifestações de vida existentes no planeta. O desenvolvimento que temos hoje PE a observação de usufruir e não a arte de construir. A contribuição dos defensores do meio ambiente está, justamente, em exigir reflexão e tentar reatar, nos sentimentos, nas ações do cotidiano das pessoas, os laços vitais, cirando demandas objetivas pela mudança do conceito do progresso. Isso não significa estagnação ou volta às cavernas; ao contrário, propõe outra racionalidade. Em primeiro lugar, o alvo do desenvolvimento deixa e ser o presente e passa a ser a geração atual e mais todas as outras futuras, o que significa projetar conseqüências e, portanto, aceitar como indicador de desenvolvimento apenas aquilo capaz de sustentar ao longo do tempo.

O uso que fazemos dos recursos naturais, assim, deve supor sua conservação para uso das gerações futuras. Para lembrar quão drástica tem sido a subversão desse cuidado elementar para a preservação do planeta, basta do planeta, basta constatar que, muitas vezes, destruímos em poucos anos recurso fundamentais para os nossos filhos, tais como solos, águas u o ar das cidades. O desenvolvimento sustentado reivindicado pelos ambientalistas nada mais é que o antídoto contra a predação desenfreada; contra as falsas soluções que são tão ofuscantes quanto fugazes. É uma luta que requer ciência, descoberta de técnicas adequadas, mas principalmente muita paixão e uma opção pela vida.