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O ganso indiano voa a 9 000 metros

a mesma altura dos jatos comerciais. É que ele passa o inverno no nordeste da Índia, ao nível do mar. Na primavera, migra para os lagos do Tibete, onde choca seus ovos

(José Guilherme Marcon, Caxias do Sul, RS)

A que mais precisa. O ganso indiano voa a 9 000 metros, a mesma altura dos jatos comerciais. É que ele passa o inverno no nordeste da Índia, ao nível do mar. Na primavera, migra para os lagos do Tibete, onde choca seus ovos. Só que no meio do caminho tem o Himalaia, a mais alta cadeia de montanhas do mundo – com altitudes de até 8 800 metros. Todo ano ele as atravessa. Outro recordista de vôo em altura é uma ave da mesma região, o abutre do Himalaia, que também passeia a 9 000 metros do chão. “Em 1973, um deles bateu num avião a 11 278 metros”, conta a ornitóloga Elizabeth Höfling, da Universidade de São Paulo (USP). Para suportar a falta de oxigênio, aves de altitude – como o emberezídio-da-touca-negra, uma andorinha da América do Norte, e o condor dos Andes – têm metabolismo acelerado, que produz muita energia em pouco tempo. Outro truque é a respiração. “O aparelho respiratório permite que essas aves tenham ar nos pulmões o tempo todo”, diz Renato Gaban, ornitólogo da USP. Assim, aproveitam bem o ar rarefeito. Para elas, voar acima de 8 000 metros é bico. A menos que venha um avião em sentido contrário.

A vista é demais

Aves migratórias precisam voar mais alto

Abutre do Himalaia – 11 200 m

Ganso indiano – 9 000 m

Emberezídio-da-touca-negra – 6 000 m

Condor dos Andes – 5 000 m