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O novo petróleo

O hidrato de metano, um cristal de gelo inflamável, é abundante e mais limpo que outros hidrocarbonetos e pode nos livrar do petróleo

Depositada no fundo do mar, uma molécula de gás aprisionada em gaiolas de água congelada pode dar um empurrão no mercado de combustíveis fósseis. O hidrato de metano foi descoberto nos anos 70, mas só agora estamos vendo os primeiros avanços para retirá-lo dos oceanos. Quem lidera o resgate é o Japão, que investiu mais de R$ 1,2 bilhão no Chikyu, uma espécie de iate gigante com uma torre de 30 andares de armazenamento e que faz perfuração em águas profundas. O Chikyu conseguiu retirar o gás a 400 metros de profundidade sem romper o gelo – ou seja, sem liberar descontroladamente para a atmosfera o metano, um dos gases do efeito estufa. Novas extrações devem ser feitas até 2019.
Só no Japão, as reservas do gelo inflamável são suficientes para abastecer o país no próximo século – nada mal para uma economia que compra 95% da energia que consome. Em todo mundo, há 3 trilhões de toneladas de hidrato de metano nos mares, mais do que o triplo das reservas de 930 bilhões de toneladas de carvão, petróleo e gás natural somadas, de acordo com o relatório Energy Outlook, de 2007. No Brasil, estudos feitos pela PUC-RS com a Petrobras mostram que há depósitos do combustível na bacia sedimentar de Pelotas, na Região Sul, e na foz do rio Amazonas, no Norte – mas ainda falta estimar o volume das reservas. O hidrato leva vantagem em relação a hidrocarbonetos tradicionais porque produz mais energia gerando menos dióxido de carbono. Encapsulado nos cristais de gelo, o gás fica estável. Mas, à temperatura ambiente, é liberado e provoca chamas insólitas em mares gelados.