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Satélite ecológico mostra serviço

O primeiro satélite destinado apenas ao estudo do ambiente já está mandando fotos com uma nitidez impressionante.

As duas primeiras imagens da Terra transmitidas pelo satélite ERS-1 (satélite europeu de teledetecção), lançado por um foguete Ariane a 17 de julho, espantaram pela exatidão. De fato, onze dias depois de subir da base de Kourou, na Guiana Francesa, o satélite enviou fotos inéditas das Ilhas Frísias, ao norte da Holanda e de Spitzberg, na Noruega. Nem o rastro de um navio na água passou desperdício ao “olho de lince”, como os orgulhosos cientistas da Agência Espacial Européia designam o equipamento de radar responsável pelas fotos. O que mais impressionou os pesquisadores foi a nitidez com que aparece a lâmina de água do Mar do Norte, permitindo distinguir trechos tranqüilos e outros encapelados, além de blocos de gelo. Em órbita a 785 quilômetros de altura, o ERS-1 é o mais complexo satélite europeu e o primeiro destinado apenas ao estudo de ambiente, razão pela qual o apelido “ecologista”.

Nos seus três anos de vida prevista, deverá fornecer informações essenciais à compreensão dos grandes processos em curso que ameaçam a saúde do planeta, como o efeito estufa. Das múltiplas missões de que o ERS-1 foi incumbido, a mais importante consiste em recolher dados até hoje inacessíveis a dinâmica do clima terrestre. Para tanto, medirá a temperatura da superfície dos oceanos, além da velocidade e direção dos ventos próximos às regiões marinhas – a partir do que será possível checar melhor a conhecida hipótese segundo a qual a Terra pode ficar até 5ºC mais quente no próximo século, com calamitosas conseqüências. Graças à preciosa capacidade de “enxergar” através das nuvens, o satélite ajudará também a monitorar o desflorestamento da Amazônia.

Além disso, os pesquisadores esperam também receber do espaço um diagnóstico completo das áreas do globo mais afetadas pela exploração abusiva dos solos e pela poluição das águas. O sucessor do ERS-1, com lançamento previsto para 1994, será ainda mais bem equipado: conterá instrumentos específicos para medir não só o tamanho, mas a idade do buraco na camada de ozônio na alta atmosfera.