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“Ser é ser percebido (ou perceber)”, Berkeley

Ao longo dos séculos 17 e 18, muitos filósofos se dedicaram a discutir a fonte de nossos conhecimentos, criando duas correntes: o empirismo e o racionalismo. Enquanto os racionalistas asseguravam que já havia ideias inatas antes mesmo de qualquer experiência, os empiristas preferiam acreditar que todo o conhecimento vinha somente a partir daquilo que vemos, ouvimos, tocamos, provamos ou sentimos. Mas, para Berkeley, um bispo anglicano de um povoado irlandês, havia um problema a ser resolvido antes disso: os filósofos partiam da premissa de que aquilo que existe no mundo é composto por matéria. Berkeley passou a questionar se havia matéria, criando o “imaterialismo”, que levou o empirismo às últimas consequências: se a ideia que fazemos de um objeto depende dos cinco sentidos, dizia o filósofo, nada garante a existência daquilo que não podemos perceber. Apesar de submeter a existência da matéria ao fato de ser ou não percebida pelo homem, o bispo evitava entrar em conflito com a sua fé. Para ele, havia uma força superior definindo o que podemos ou não sentir: “quando abro meus olhos, não está em meu poder escolher o que eu quero ver ou não”, escreveu. “As ideias impressas em meus sentidos não são criadas por minha vontade. Assim, existe outra Vontade ou Espírito que as produz”.