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Vulcões: Paixão explosiva

Eles causam morte e destruição. Mas ajudaram a formar o planeta. Sem os vulcões você não estaria aqui.

Claudio Angelo

A relação entre a humanidade e os vulcões tem sido como um romance tempestuoso. Os seres humanos sempre conheceram a destruição causada por eles. Ao mesmo tempo, nunca deixaram de se fascinar pela sua beleza. Para os antigos romanos, as montanhas flamejantes eram a morada do deus do fogo e dos metais, Vulcano – daí o nome. Para os primeiros cristãos, eram janelas do inferno.

Nesses poucos milênios de convívio, os vulcões já destruíram cidades e, quem sabe, civilizações inteiras. Desde os primeiros registros históricos, por volta de 5 000 anos atrás, as catástrofes provocadas por eles fizeram mais de 500 000 mortos.

Mas a Terra só se tornou um planeta aprazível graças à existência de vulcões. Foi ao redor deles que surgiram os primeiros seres vivos, há quase 4 bilhões de anos. Foram eles que trouxeram das profundezas o gás carbônico necessário para a formação da atmosfera e elementos químicos como o sódio, que ajudaram a compor o sal dos oceanos – substâncias essenciais à manutenção dos ecossistemas. Também levantaram continentes e ilhas: 80% das terras do mundo se originaram de atividade vulcânica, há mais de 3 bilhões de anos. De lá para cá, a Terra tem ficado mais calma e cada vez mais fria. Mas os vulcões continuam a existir – e devem continuar por bilhões de anos mais. Eles são testemunhas barulhentas de um passado distante, uma época em que o mundo inteiro cheirava a enxofre.

O foco na cratera

O belga Haroun Tazieff (1914-1998) assistiu a uma erupção vulcânica pela primeira vez em 1948, no Congo. Ficou tão fascinado que largou seu emprego como agrônomo para se dedicar a percorrer o mundo filmando as erupções. Foi o primeiro pesquisador a usar uma câmera de cinema para registrar eventos vulcânicos. Seu documentário mais famoso, Rendez-vous du Diable (Encontro com o Diabo, em português), de 1959, transformou os vulcões em espetáculo e os tornou menos misteriosos para milhões de espectadores. Mas o grande especialista se deixou trair por um vulcão. Em maio de 1980, quando todos se apavoravam com a possibilidade de uma erupção no Monte Santa Helena, no noroeste dos Estados Unidos, Tazieff foi categórico. “Não há nada a temer”, afirmou. No dia 18 daquele mês, ocorreu a erupção, que deixou 57 mortos.