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5 relatos de brasileiros que já tiveram contato com espíritos

Da mulher que recebeu uma visita de sua amiga afogada ao "anjo da guarda" que dava cola de provas escolares em sonhos, elas são bem assustadoras

Por Laíssa Barros e Leonardo Uller Atualizado em 14 fev 2020, 17h26 - Publicado em 4 Maio 2018, 16h02

Os depoimentos abaixo foram originalmente publicados em janeiro de 2018 na edição especial “Minha Experiência Sobrenatural” de MUNDO ESTRANHO. Eles foram cedidos por pessoas verdadeiras, que foram entrevistadas pelos nossos repórteres e autorizaram a publicação. Confira:

1) Registrei um fantasma em uma filmagem

Mauricio Planel/Mundo Estranho

“Era uma sexta-feira de verão, oito anos atrás, quando fui com mais três colegas fazer uma gravação no Parque Ecológico da Vila Prudente, na Zona Leste de São Paulo. Na época, eu estava fazendo uma pós-graduação em cinema e queria pegar prática em filmagem, então sempre propunha tomadas externas para os trabalhos do curso.

Naquela manhã, faríamos algumas cenas de um curta-metragem. O roteiro contava a história de uma travesti que caminha pela rua na volta de uma balada quando é abordada por dois homens em um carro. Eles a ofendem e, depois disso, aceleram, fazendo os pneus do carro cantar. No final do curta, chocam-se contra um caminhão. Apesar da trama mórbida, o filme era bem-humorado, com uma mensagem de tolerância no final.

Take surpresa

Filmamos a sequência do carro na rua em frente ao parque, que fica ao lado do Crematório da Vila Alpina. Eu conduzia a câmera e decidi dar um close frontal em um caminhão de mudanças que estava estacionado por lá. Minha ideia era inserir a imagem na montagem final e assim simular o acidente. Gravei, seguimos o roteiro de tomadas e encerramos o trabalho. Era um dia lindo, ensolarado e cheio de luz. Na hora, não percebi absolutamente nada de estranho.

À tarde, quando cheguei à faculdade para trabalhar nas imagens, abri o material na ilha de edição e comecei a avaliar o que havíamos feito. Assim que o close do caminhão apareceu na tela, vi que havia registrado, com nitidez, um espírito. Era um homem jovem de cabelos curtos e encaracolados que olhava diretamente para a câmera. Tinha os olhos vermelhos e deu a impressão de me fitar fixamente, numa expressão de ódio puro.

Olhar fulminante

Gelei na hora. Chamei outros colegas que estavam na sala e mostrei o take do fantasma. Todos puderam ver a figura do homem dentro do caminhão. O trabalho encerrou e nunca mais vi sua imagem em outro lugar. Acredito ter filmado um espírito que havia abandonado recentemente o corpo de seu dono, mas ainda estava preso no plano terrestre – deveria haver muitos assim ali perto, pela proximidade do crematório. Sem poder sair, encheu-se de raiva e, por isso, me olhava daquele jeito.”

Vivian Cardozo tem 40 anos, é professora de arte e mora em São Paulo. Essa não foi a única experiência espiritual de sua vida. Depoimento concedido a Leonardo Uller.

2) A amiga afogada foi até minha cama

Mauricio Planel/Mundo Estranho

“Minha família era muito rígida e, quando eu era adolescente, por mais que quisesse, raramente me divertia. Meus pais não me deixavam fazer quase nada. Aos 17, decidi ir a uma festa que acontecia em uma das ilhas de Belém do Pará, onde cresci. Era uma celebração popular que ocorria todos os anos e reunia tanto o pessoal da área urbana quanto os ribeirinhos das ilhas que pipocam pelo Rio Guamá, nosso braço do Amazonas.

Todos os meus amigos estariam lá. Comprei o ingresso e, sabendo que não teria permissão para sair de casa, planejei uma saída escondida. Minha mãe descobriu meu plano e proibiu qualquer movimentação. Arrasada, chamei minha melhor amiga e ofereci o ingresso que tinha – ao menos ela se divertiria no meu lugar, pensei. Para garantir que não tivesse dificuldade em chegar, dei também o valor da balsa que atravessava o rio até a ilha.

Naquela noite, lotada de pessoas animadas para chegar à festa, a embarcação virou. Minha amiga, sentada com o ingresso que eu havia lhe dado, caiu na água e se afogou. O acidente chocou a região e minha família ficou muito aliviada. Estavam convencidos de que a rigidez de minha mãe havia salvado a minha vida, mas eu só pensava na minha amiga. Ia para a cama todos os dias chorando muito. A mãe dela me responsabilizava pela morte, e eu também.

Visita inesperada

Uma semana depois do desastre, no meio da noite, acordei com um barulho estranho no chão de madeira, como estalos. O piso do meu quarto parecia estar se abrindo. Em seguida, senti algo ou alguém deitar ao meu lado na cama. O que quer que fosse, era real, pois senti o frio na pele do braço assim que aquilo encostou em mim. Era como o contato de outra pele, mas gelada e muito pegajosa.

De repente, meu quarto foi invadido por um cheiro pútrido fortíssimo. Eu estava com muito medo e não tinha coragem nem de abrir os olhos. Mesmo sem olhar para o lado, tive certeza de que era o espírito da minha amiga afogada. Sabia que ela não iria me fazer mal, mas também não queria que ela ficasse ali. Comecei a rezar com muita concentração, sem me mexer nem fazer nenhum som. Os olhos continuavam apertados, fechadíssimos.

Alívio da culpa

Depois de um tempo, ela desapareceu. Não sei explicar como foi embora, mas não estava mais lá. Na época, a culpa tinha tomado conta da minha vida e eu me sentia muito mal. Hoje interpreto que ela provavelmente foi até meu quarto para me dizer que estava tudo bem e que eu não era a responsável pela morte.

Nunca mais tive nenhum contato com espíritos, mas até hoje eu não consigo falar o nome dessa minha amiga nem pensar muito nela com medo de que ela apareça novamente.

Renata Passos tem 64 anos, é costureira e só teve esse contato com espíritos em sua vida. Depoimento concedido a Laíssa Barros.

3) Vivi uma noite de medo e paralisia

Mauricio Planel/Mundo Estranho

“Eu tinha 19 anos e estava vivendo uma semana difícil. Meu namoro de um ano e meio havia acabado e eu tinha dificuldade em aceitar o fato, me sentia confuso. Como sabia lançar runas [pedras com inscrições antigas, usadas para obter respostas, mais ou menos como ocorre no tarô], passei o dia lançando-as. Fazia as perguntas e obtinha respostas, mas, inconformado com o que elas me diziam, voltava a questionar.

Quando fui dormir, estava completamente agitado. Passei a ter pesadelos logo que adormeci, com meu melhor amigo e minha família, e os sonhos terminavam de formas horríveis. No meio da noite, despertei. Me sentia mal e, quando tentei me mexer, vi que não conseguia mover os músculos do meu corpo. Olhei para a porta do meu quarto e vi uma figura, um homem talvez, muito alto e encapuzado. Eu não podia ver seu rosto nem distinguir detalhes da sua roupa, mas sentia claramente que estava me encarando.

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Força mental

Fiquei com muito medo e, para piorar, seguia sem poder me mexer. Devo ter adormecido de novo e voltei a sonhar. Mas isso só durou um tempo, até que acordei e, mais uma vez, constatei que estava paralisado. Agora, porém, a figura estava sentada na minha cama. Tentei me levantar usando toda a força do meu corpo, mas sentia uma energia pesada me segurar.

Continuei fazendo força e mentalizando o movimento de sair da cama, para longe daquele ser. Sentia apenas uma energia muito ruim. De repente, senti uma dor intensa, como uma cãibra extremamente forte. Então, meu corpo pulou da cama e caiu sobre a mesinha do computador, a um metro e meio de distância.

Alerta de Odin

Depois dessa noite, fiz pesquisas para entender o que havia ocorrido. Descobri, pela internet, que existem lendas sobre pessoas que são `seguradas por um fantasma¿. Também aprendi que, no xamanismo, existe um termo chamado `peia espiritual¿, usado para definir o fato de um humano ter uma `bronca¿ com algum deus. Eu acredito ter uma conexão espiritual com Odin, para quem as runas são uma invocação direta. Minha teoria para essa noite é que a espiral negativa começou quando eu falhei em lidar com as minhas aflições. Levei uma bronca.”

Bruno Passos tem 26 anos, é fotógrafo e adepto do xamanismo. Ele acredita que, nesse dia, foi punido por não levar as forças espirituais a sério. Depoimento concedido a Leonardo Uller.

  • 4) Segurei na mão de uma menina fantasma

    Mauricio Planel/Mundo Estranho

    “Moro com uma amiga e nossos dois gatos. Há alguns meses, recebemos a visita de outra amiga do nosso grupo, que ficou hospedada em nossa casa. Nessa noite, invertemos o arranjo habitual. A visita ficou no quarto da minha colega de apartamento e ela veio dormir no meu, em um colchão que colocamos no chão.

    Felinos pelo quarto

    Como de costume, deixei a porta do quarto entrea-berta para que os gatos pudessem circular. Eles gostam de perambular pelos cômodos à noite e às vezes até brincam enquanto a gente dorme. Por isso, não achei estranho quando, no meio da madrugada, senti algo pesar sobre meus pés. Imaginei que fosse um dos bichinhos e segui dormindo despreocupada.

    Mas, de repente, minha amiga chamou meu nome. Ela estava deitada no colchão e, com uma voz sonolenta, disse que havia uma garotinha na minha cama chorando muito alto. Pediu que eu parasse de fazer a criança chorar porque isso estava atrapalhando o sono dela. Naquele momento, abri os olhos e mirei na direção dos meus pés. Realmente, havia uma menina de uns 7 anos de idade sentada ali. Ela era branca, tinha os cabelos pretos e chorava muito. Entendi que eu estava no meio de um sonho.

    Ainda sonhando, levantei da cama, peguei a garota pela mão e a fui levando em direção à porta da sala. Pedia que ela parasse de chorar e que fosse embora da minha casa. Não estava nem um pouco assustada pois tinha plena certeza de estar dormindo, entregue ao roteiro do meu inconsciente. Mas, chegando à sala, me deparei com um espelho enorme que temos no ambiente e vi o meu reflexo. Foi aí que percebi que estava acordada. Do meu lado, a menina continuava chorando e segurando minha mão, mas o reflexo dela não aparecia no espelho.

    Duas visões

    Gritei alto, soltei o braço dela e saí correndo para o quarto. Lá, tentei me convencer de que, apesar da nitidez e da sensação de consciência plena, tudo havia sido um sonho. Mas estava desperta demais para acreditar. Era real. Chamei minha amiga e contei o que havia ocorrido. Ela acordou meio sem vontade e tentou me acalmar. Quando perguntei se também havia visto a criança no pé da minha cama, me disse que sim.

    Não tivemos coragem de ir até a sala para ver se ela continuava chorando lá. Minha amiga voltou a dormir, mas eu estava em frangalhos. Saímos do quarto só quando o dia clareou e, naquela hora, não vimos nenhuma criança em nossa casa. A pior parte, para mim, é saber que minha amiga também viu a garotinha fantasma. Isso me deixa sem espaço para duvidar de meus olhos. Lá em casa, sou a única a dar importância para o episódio até hoje. Mas não posso evitar. Segurar naquela mãozinha me deu muito medo e ainda me dá.”

    Flávia dos Santos tem 22 anos e é estudante. Ela não viu mais a criança em casa, mas ainda tem medo de que ela volte. Depoimento concedido a Laíssa Barros.

    5) Meu anjo da guarda apareceu nos meus sonhos e previu o futuro

    Mauricio Planel/Mundo Estranho

    “Quando eu tinha 16 anos, comecei a sonhar com frequência com um senhor de cabelos brancos. O senhorzinho sempre vinha falar comigo no meio do sonho quando eu estava em uma praça ou durante uma caminhada por um campo verde. Parecia me conhecer: me chamava pelo nome e, várias vezes, disse que sempre esteve comigo, só eu que não sabia. Ao lado dele, minha sensação era de felicidade e segurança. Eu o via como alguém muito bonzinho e protetor.

    Num dos sonhos, ele explicou ser um tipo de anjo da guarda. Eu respondi que não acreditava muito nessas coisas. Tivemos o mesmo diálogo algumas vezes até que, uma noite, ele disse que iria me ajudar a crer. Sua tática foi começar a me passar informações que eu poderia confirmar na vida real. Primeiro, me contou que meu namorado na época estava me traindo e que uma pessoa próxima me daria a notícia. No dia seguinte, foi exatamente o que ocorreu.

    Ajuda na escola

    Também comentou perguntas que estariam nas provas para as quais eu estava estudando e indicou os trechos de livros que eu poderia estudar para responder bem. Mais uma vez, estava certíssimo. Ele fez isso outras vezes, mas frisou que eu não deveria dividir o segredo com ninguém, apenas acreditar. Falar de coisas que se tornariam realidade era apenas sua estratégica para me convencer de sua existência.

    Mas as confirmações começaram a me afligir e passei a ter medo de dormir. Queria evitar sonhar com ele e ver novos fatos se concretizarem. Eu de fato havia acreditado nele, mas agora estava morrendo de medo. Por isso, não consegui guardar a história para mim e contei para algumas amigas. Tinha a esperança de que me ajudassem a ficar calma e a entender o que estava se passando. Afinal, eu sabia que ele era real, mas não podia decidir se era um anjo, um espírito ou outra coisa.

    Depois disso, porém, foi exatamente como ele disse: ele desapareceu. Nunca mais vi o senhor bondoso de cabelos brancos, para minha decepção. Adoraria que ele voltasse – e que eu tivesse mais coragem para recebê-lo.”

    Mariah Barros tem 26 anos, é relações-públicas e torce para que o senhor de cabelos brancos volte a visitá-la. Depoimento concedido a Laíssa Barros.

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