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Como acontece uma mutação no DNA?

Qualquer mudança na seqüência de 3 bilhões de letrinhas que formam o nosso genoma é o que chamamos de mutação

Por Tarso Araújo Atualizado em 14 fev 2020, 17h34 - Publicado em 18 set 2017, 18h05

O DNA serve como um manual de instruções da vida. Só que alterações ao acaso podem modificar esse manual. Aqui, você confere como funciona o DNA e descobre o que pode dar errado a ponto de ser criada uma mutação.

Tiago Lacerda/Mundo Estranho

1. O material genético humano está organizado em 46 cromossomos que ficam no núcleo das células. Os cromossomos são como novelos, cujos fios enrolados são o DNA, um tipo de molécula que guarda as instruções que cada célula precisa para viver

Tiago Lacerda/Mundo Estranho

2. O DNA é formado por uma seqüência de pequenas unidades, os nucleotídeos. São as ligações entre eles que fazem o DNA crescer como duas longas fitas, adquirindo a forma de uma hélice dupla

3. Existem quatro tipos de nucleotídeos para fazer essas ligações, que só se unem seguindo certas regras: adeninas (A) só se encaixam com timinas (T); guaninas (G), com citosinas (C). A ordem desse “alfabeto” é o código do nosso “manual” de funcionamento

Tiago Lacerda/Mundo Estranho

4. Cada vez que uma célula se divide, ela passa uma cópia do DNA para a outra. A replicação começa com a ação de uma enzima que quebra as ligações das “letras” (os nucleotídeos) que unem as duas fitas do DNA. A hélice dupla se abre como um zíper

5. Ao mesmo tempo, outra enzima se encaixa nas fitas soltas do DNA e começa a criar uma fita complementar. Se a fita antiga tem uma guanina exposta, por exemplo, a enzima encontra uma citosina solta no núcleo e a encaixa para formar a nova fita

6. As enzimas responsáveis pelos encaixes vão adicionando “letras” às fitas soltas num ritmo de 50 delas por segundo, até que, no final, cada fita vira um DNA inteiro, com hélice dupla. É um processo preciso: só rola um erro a cada 1 bilhão de letras!

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  • 7. Para corrigir os raríssimos erros, existe um terceiro tipo de enzima, as “enzimas de reparo”. Elas percorrem o novo DNA enquanto ele é feito, fiscalizando os encaixes das letras e consertando as combinações erradas

    8. Mesmo com esse controle, fatores como radiação e variação de temperatura podem atrapalhar a replicação do DNA. E qualquer mudança na seqüência de 3 bilhões de letrinhas que formam o nosso genoma é o que chamamos de mutação

    OS EFEITOS DA MUTAÇÃO

    Quase tudo no corpo ou tem proteínas ou é construído por elas. O DNA é um manual de instrução para a produção de proteínas nas células. Se ele sofre uma mutação, a célula que o contém produzirá proteínas diferentes do que diz o “manual”, como mostra este infográfico.

    I. Os genes são pedaços do DNA, ou seja, um trecho da seqüência de letras. Cada gene tem a receita para fazer um tipo de proteína. A produção começa com uma enzima que abre uma parte do DNA e depois tira um “molde” do gene usando outra molécula, o RNA

    II. O RNA é uma espécie de DNA com apenas uma fita, e não duas – e onde a letra “T” (de timina) é trocada pela “U” (de uracila). O molde de RNA sai do núcleo e vai para o citoplasma da célula, onde se encaixa num “órgão”, o ribossomo, para começar a produzir proteínas

    III. A quantidade e a ordem de letras do molde de RNA determinam a ordem e o tamanho da produção dos aminoácidos, as pequenas substâncias que compõem uma proteína. Por exemplo, uma seqüência de letras “ACA” forma o aminoácido treonina. A troca de só uma letra altera a seqüência de aminoácidos e a proteína esperada não é formada. Isso muda algo no corpo na parte onde a tal proteína atuaria – que pode ser da cor da pele ao sistema digestivo

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