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Como Che Guevara e Fidel tomaram o poder em Cuba?

Revolução Cubana foi um dos episódios mais marcantes do século 20

Junto com Raúl Castro, irmão de Fidel, eles lideraram uma guerra de guerrilhas, que contou com uma força decisiva da população civil. “O movimento teve apoio de estudantes universitários e camponeses que se opunham ao governo ditatorial de Fulgêncio Batista”, diz o historiador americano Franklin Knight, da Universidade Johns Hopkins.

A guerrilha nasceu quando Batista, um ditador brutal e corrupto, cancelou as eleições marcadas para junho de 1952. Fidel, então um dos candidatos, começou a organizar uma força rebelde para depor o governo. Acompanhado de 160 homens, ele atacou um quartel militar em 26 de julho de 1953, na esperança de provocar um levante popular. A iniciativa foi um fracasso: Fidel foi capturado e acabou condenado a 15 anos de prisão.

Libertado por uma anistia a presos políticos, ele se exilou no México, onde conheceu o médico argentino Ernesto “Che” Guevara. Convencido de que uma revolução por métodos violentos representava a única forma de combater a miséria na América Latina, Che se concentrou na estratégia militar da revolução, enquanto Fidel tratou de fundar o Movimento 26 de Julho, organização política que iria aglutinar os dissidentes cubanos no esforço para derrotar Fulgêncio Batista. Com cerca de 80 combatentes, a guerrilha voltou a Cuba em 1956 para tomar o poder.

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Embrenhados na selva, cerca de 300 guerrilheiros detonaram a ditadura cubana

1. Presos por uma tentativa de golpe frustrada, Fidel e seu irmão, Raúl Castro, são anistiados em 1955 e exilam-se no México, onde conspiram contra o regime cubano. Ali, Fidel funda uma organização política, o Movimento 26 de Julho, ao qual adere o argentino Che Guevara

2. Em 1956, Fidel, Raúl e Che, à frente de 80 seguidores, retornam num barco para Cuba. São atacados pelo Exército cubano: quase todos os guerrilheiros são mortos ou presos, com exceção dos três líderes e de outros nove homens, que fogem para as selvas da sierra Maestra, no sudoeste de Cuba

3. Contando com apoio de parte da população rural, os guerrilheiros realizam ataques contra guarnições do governo na sierra Maestra, entre 1956 e 1958. Che e Raúl promovem execuções de simpatizantes do governo, ajudando a consolidar o controle da guerrilha na região

4. Em 14 de março de 1958, um embargo é imposto pelos Estados Unidos à venda de suprimentos militares ao governo cubano. A medida enfraquece as Forças Armadas do ditador Fulgêncio Batista – muitos de seus aviões são impedidos de voar por falta de peças

5. Numa tentativa de sufocar a guerrilha, o governo organiza um grande ataque em julho de 1958. Mas a derrota é retumbante: com pequenos combates isolados, cerca de 300 guerrilheiros cercam 1 200 soldados. O Exército perde 500 homens, contra só três baixas da guerrilha

6. A série de triunfos da guerrilha quase é interrompida com a Batalha de Las Mercedes, entre 29 de julho e 8 de agosto de 1958. Fidel Castro perde 70 guerrilheiros, quase um terço de sua força, e propõe um cessar-fogo. Os guerrilheiros retornam à sierra Maestra, onde se reagrupam para seguir lutando

7. Em primeiro de janeiro de 1959, com as forças do governo desmoralizadas e em rápida desintegração – os níveis de deserção eram altíssimos -, duas importantes cidades do país, Santa Clara e Santiago de Cuba, são ocupadas pelos guerrilheiros. Percebendo que a derrota era inevitável, o ditador Fulgêncio Batista foge de Cuba e as forças revolucionárias entram na capital, Havana, no mesmo dia, tomando o poder

8. A chegada de Fidel e Che ao poder trouxe grandes avanços na área social, especialmente na saúde e na educação. Mas a brutalidade continuou: após a tomada do poder pelos revolucionários, centenas de simpatizantes do antigo regime, policiais e soldados são julgados por violações dos direitos humanos. Muitos são fuzilados

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