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Como é o trabalho dos “coiotes” na fronteira do México com os EUA?

Operação é cheia de etapas e conta com intermediários espalhado pelas Américas

Ilustra Rainer Petter
Edição Felipe van Deursen

 (Rainer Petter/Mundo Estranho)

1 – O trabalho tem etapas bem planejadas e conta com intermediários infiltrados pelas Américas. Por se enquadrar na lei de tráfico de pessoas (com pena prevista de até 40 anos, nos EUA), o esquema é tratado com total discrição. Quem vive fora do México pode estabelecer contato com a quadrilha por telefone, e-mail ou pessoalmente com algum aliciador local

2 – O cliente viaja até a Cidade do México. Lá, é recebido no aeroporto e conduzido a um furgão, onde se reúne com outros imigrantes e paga pela travessia, à vista. Se ele quiser ser levado até alguma cidade americana, paga mais outra quantia, após cruzar a fronteira. Quem não paga pode virar refém, ter sua família extorquida ou até ser mortos.

  • Os coiotes cobram entre U$S 6 mil e US$ 20 mil. Isso não inclui a passagem até o México.

3 – Os coiotes dividem os imigrantes em pequenos grupos e os levam até casas ou abrigos privados, onde aguardam até 10 dias para serem transferidos. Essa espécie de cárcere privado é estabelecida pelos coiotes para não levantar a suspeita da vizinhança e assegurar que ninguém desista da ideia já na fronteira

4 – Após o período de cativeiro, os coiotes distribuem os imigrantes em veículos e os transferem a cidades de fronteira. A mais próxima delas, Reynosa, fica a 1.053 km. A divisão em grupos é necessária para evitar que a operação inteira fracasse em caso de uma blitz. Ao chegar nessas cidades, a quadrilha instala os imigrantes em fazendas

 (Rainer Petter/Mundo Estranho)

5 – Na hora de partir, carretas passam apanhando todos e os deixam na entrada de trilhas de terra ou à beira de estradas pouco movimentadas. O percurso atravessa deserto e rios e é feito a pé, com os grupos de imigrantes em fila. Eles encaram até cinco dias sob a ameaça de cobras e escorpiões, além de ladrões, sequestradores e estupradores

6 – Na fronteira, quem optou continuar por conta própria segue caminho. Aqueles que pagaram por chegar a uma cidade dos EUA passam para outros coiotes, que vivem no país vizinho e os levarão de carro. Em geral, esses coiotes têm esquema com a polícia americana. O pagamento dessa etapa é feito no ato, mas não há garantias de que os imigrantes chegarão ao destino final

7 – Quem decidiu desbravar o território americano sem os coiotes corre o risco de se perder ao longo de três dias e até 300 km de caminhada até chegar à cidade escolhida. A travessia geralmente é feita no verão. O calor de 40 ºC é de lascar, mas compensa porque assim eles se camuflam mais facilmente entre os turistas em férias

 (Rainer Petter/Mundo Estranho)