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Como é o treinamento de golfinhos?

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1. Os golfinhos são inteligentes e têm grande capacidade de aprendizagem. Mas, para que o treinamento seja bem-sucedido, há dois pontos essenciais: que o animal vá para a “escolinha” ainda filhote e que se estabeleça uma relação de amizade entre ele e o treinador. Para ganhar a confiança do golfinho, o treinador brinca com ele, é carinhoso e o alimenta

2. Depois que a amizade engatou, começa a fase de treino, que se baseia no reforço de comportamentos positivos. Sempre que faz um movimento desejado, como dar uma pirueta, o animal ganha uma recompensa (peixes, carinho, brinquedo). Se não conseguir executar a tarefa, não ganha o prêmio. Mas ele nunca é castigado, pois punições romperiam o laço de confiança com o treinador

3. Mas, antes de começar o treino pra valer, o golfinho ainda precisa associar o silvo de um apito à execução de uma ação desejada – e, com isso, ao recebimento de uma recompensa. Esse treinamento sonoro é feito na hora da alimentação. Sempre que dá comida ao animal, o treinador soa o apito, até que o golfinho aprende que vai ganhar comida toda vez que rolar uma apitada 4. Durante o treinamento nos tanques, a recompensa deve ser dada logo que o golfinho fizer a ação comandada. Como muitas vezes o treinador está longe do animal, a princípio não daria para recompensá-lo imediatamente. É aí que entra o apito. Ao ouvir o som, o golfinho sabe que fez algo certo e vai até o treinador para receber o prêmio

5. Espertos e ativos, os golfinhos normalmente fazem movimentos divertidos, como nadar dando voltas no próprio corpo. A técnica de varredura consiste em identificar gestos naturais interessantes e estimular o animal a repeti-los. Sempre que o bicho faz uma ação desejada, o treinador apita e dá a recompensa, até ele saber que está sendo premiado por ter feito aquele gesto

6. O treinador também pode manipular o corpo do golfinho para ensinar-lhe um novo número. Por exemplo, se quiser que dois golfinhos “se beijem”, tocando seus focinhos, o treinador pode conduzir gentilmente cada animal até que eles se toquem e, imediatamente, soar o apito, sinalizando que aquela ação é correta

7. Para ensinar novos truques ao animal, que não fazem parte de seu repertório natural de movimentos, os treinadores usam um instrumento chamado alvo, uma vara com uma boia de isopor na ponta. Ela funciona como uma espécie de guia com a qual a pessoa direciona o golfinho para uma posição ou outra no tanque e o orienta a executar novas acrobacias

8. Para o bicho fazer números mais elaborados, como saltar bem alto fora d’água, rola um treino passo a passo. Primeiro, ele é estimulado a tocar o alvo na superfície da água. Então, paulatinamente, a boia vai sendo levantada alguns centímetros, premiando-se o golfinho sempre que ele toca o alvo. Por fim, o treinador coloca a boia no ponto mais alto e o golfinho dá um enorme salto

9. O passo seguinte é ensinar o golfinho a fazer as acrobacias sem o alvo. Para tanto, quando o animal está no ar, o treinador rapidamente retira a boia antes que ele a atinja, e soa o apito na hora, para que o bicho veja que fez a tarefa certinho. Como nos outros passos, esse treino é repetido várias vezes

10. Depois que está treinado, o animal é ensinado a associar cada ação a um comando específico, que pode ser verbal, visual (um sinal de “ok”, por exemplo) ou sonoro (bater de palmas). Esse é um passo essencial para o treinador orientá-lo sobre que movimento fazer na hora do show

• A espécie mais usada em shows é o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), e a maioria nasce em criadouros dos parques

• As orcas também participam de shows. E, ao contrário do que muita gente pensa, elas são golfinhos da espécie Orcinus orca, e não baleias

• Para o bicho aprender a seguir o alvo, o treinador encosta a boia em seu focinho, apita e dá um prêmio. Com isso, ele vê que, se tocar o alvo, vai se dar bem

De acrobata a salva-vidas

Animais são treinados para caçar minas submarinas e até pintar! Além do sucesso com as acrobacias nos parques, os golfinhos também são treinados para exercer outras profissões. Alguns, como o talentoso Shadow, do Aquário Estadual do Texas (EUA), aprendem até a pintar quadros! Há também os que seguem a carreira militar. A Marinha americana já treinou golfinhos para encontrar minas submarinas e atacar mergulhadores inimigos. Há relatos até de que os animais participaram das Guerras do Vietnã e do Iraque