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Como funcionam os novos maiôs usados na natação?

Por Tiago Jokura - Atualizado em 4 jul 2018, 20h29 - Publicado em 28 jul 2008, 16h13

O polêmico maiô LZR Racer, que vestiu 18 dos 19 nadadores que quebraram recordes mundiais em 2008, é feito com tecido ultrafino que repele a água e comprime os músculos. Assim, o nadador desliza com mais eficiência e menos esforço. Para chegar a esse modelo, a Speedo investiu pesado em pesquisa, contando com profissionais da Nasa e de universidades da Inglaterra e da Nova Zelândia. Depois de avaliar mais de cem amostras de tecido, escanear o corpo de 400 atletas, testar o traje em túneis hidrodinâmicos (similar aos túneis de vento usados para testar carros de Fórmula 1, mas, claro, com água no lugar do vento) e contratar um estúdio de moda para assinar a peça, o resultado veio rápido. Até maio de 2008, 37 recordes mundiais (em piscinas de 25 e 50 metros) haviam sido batidos com o LZR Racer.

MAIÔ DE GALA

Para colar na pele, LZR tem o dobro de elastano que uma sunga normal

MALHA FINA

O LZR Racer tem duas vezes mais elastano (30%) do que uma sunga normal, o que faz com que o maiô fique mais colado à pele. Além disso, o tecido é feito com fios mais finos, formando uma trama mais coesa que barra a entrada de água. Assim, o maiô não encharca nem forma dobras capazes de “segurar” a água.

POSE DE CAMPEÃO

O tecido é reforçado no quadril para manter a postura do nadador, mesmo quando pinta o cansaço muscular. Em provas curtas, como os 50 metros, 30% do percurso é feito sem movimentar os braços, posição ideal para romper a resistência da água.

SEM MEIA

Os pés e as mãos são áreas de grande arrasto, ou seja, em que a água encontra maior resistência para passar. Mas a Federação Internacional de Natação não permite que eles sejam cobertos por qualquer tipo de tecido ou acessório.

MAIS GÁS

A vantagem principal do LZR é a redução do atrito entre o corpo e a água – 5% menor do que o traje anterior da Speedo -, mas a vantagem não pára por aí. A diminuição do atrito poupa esforço, garantindo ao nadador 5% a mais de oxigênio, justamente a reserva de fôlego para o sprint decisivo.

HAJA PRESSÃO

Em função da maior quantidade de elastano no tecido, ele adere bem à pele, comprimindo a musculatura de modo a diminuir a vibração da superfície do corpo durante as braçadas e pernadas. É como se o atleta cortasse a água, formando o mínimo de ondas e bolhas ao redor do corpo.

CASCA GROSSA

Em sungas e maiôs convencionais, os fios de elastano (lycra) – responsáveis pela elasticidade – compõem cerca de 15% do tecido e têm o dobro da espessura dos fios usados em trajes especiais de natação. O resultado disso é uma absorção maior de água, que, durante o nado, se traduz em sobrepeso.

PRETINHO BÁSICO

LZR mistura simplicidade e tecnologia

AQUI NÃO COLA

Painéis finíssimos de politetrafluoretileno – o teflon, aquele mesmo usado em frigideiras – revestem partes salientes, como tórax, nádegas e coxas, que “seguram” o fluxo da água. O teflon é uma mistura de flúor e carbono, que juntos formam a substância com o menor índice de atrito que se conhece. Ou seja, a água passa batido.

PEÇA ÚNICA

Outro segredo do LZR é a ausência de costuras. Ele é formado por apenas três peças – contra 30 pedaços do modelo anterior -, unidas por um método de solda ultra-sônica. O zíper nas costas é coberto pelo próprio tecido, reduzindo o atrito com a água.

RECORDES A JATO

Marcas nos 50 metros livre foram detonadas

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Um estudo recente do Instituto Francês de Investigação Biomédica e Epidemiológica do Esporte apontou que o LZR Racer tem o poder de reduzir em 2% os tempos dos nadadores. Foi mais ou menos o quanto caiu o recorde mundial dos 50 metros livre desde que o maiô chegou às piscinas. Depois de oito anos insuperável, ele caiu quatro vezes nos últimos meses. Veja a evolução:

21s64 – jun/2000 – Alexander Popov

21s56 – fev/2008 – Eamon Sullivan

21s50 – mar/2008 – Alain Bernard

21s41 – mar/2008 – Eamon Sullivan

21s28 – mar/2008 – Eamon Sullivan

Sullivan chegaria 75 cm na frente de Popov

HISTÓRIA LIGEIRA

1957

Surge o náilon, a fibra de secagem rápida usada até hoje

1970

Lycra: maiôs mais aderentes e 22 recordes na Olimpíada de Munique

1992

S2000, da Speedo, veste 53% dos medalhistas da Olimpíada de Barcelona

1996

Aquablade: 15% mais aderente e 77% das medalhas olímpicas

2000

Fast Skin: 13 dos 15 recordes mundiais cravados em Sydney

2007

FS-PRO: 21 recordes em menos de um ano e portas abertas para o LZR Racer

CONSULTORIA: FABIANA GUTIERREZ, GERENTE DE COMUNICAÇÃO E MARKETING DA MARCA LYCRA

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