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Como ocorrem as chuvas de granizo?

Quando o tempo fechou na cidade alemã de Munique, em 12 de julho de 1984, uma multidão correu para se proteger das pedras de gelo que caíam do céu. Não era para menos: conhecida como uma das mais violentas chuvas de granizo já registradas no planeta, a tempestade deixou centenas de árvores partidas, 70 mil telhados perfurados, 250 mil carros amassados, quase 400 pessoas feridas e um prejuízo superior a 1 bilhão de dólares! Mais recentemente, no final de julho deste ano, outra chuva de granizo matou 15 pessoas na China. Tamanho poder destruidor – estudado desde que o grego Aristóteles escreveu a obra Meteorologia, por volta de 340 a.C. – só ocorre quando o clima oferece condições muito específicas. A principal delas são as temidas nuvens de tempestades fortes, que, além de granizo e chuva forte, trazem também ventanias e relâmpagos de arrepiar.

Uma característica dessas nuvens é conter correntes de ar subindo e descendo a velocidades entre 50 e 100 quilômetros por hora. “O ar quente empurra para cima as gotinhas de água que formam a nuvem. Elas se chocam com outras partículas e vão aumentando de tamanho”, afirma a meteorologista Maria Assunção da Silva Dias, da Universidade de São Paulo (USP). Ao atingirem a altura aproximada de 5 quilômetros, onde a temperatura é abaixo de zero, essas gotas congelam e formam pequenas pedras, que tendem a cair. “Mas elas só conseguem atingir o solo se tiverem tamanho suficiente para vencer a força do ar quente que as impulsiona de volta para o alto “, diz outro meteorologista, Marcelo Seluchi, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, SP. Enquanto isso não acontece, elas continuam subindo e descendo dentro da nuvem, juntando-se a outras gotas de água e cristais de gelo. Quando ficam pesadas o suficiente para despencar, sai de baixo!

O pior caso conhecido ocorreu em Bangladesh, em 1986, quando pedregulhos de gelo de até 1 quilo mataram 92 pessoas. Felizmente, a maioria das pedras de granizo não supera o tamanho de uma ervilha – e muitas nem chegam ao solo. Se o tempo estiver quente, a pedrinha derrete na atmosfera e cai já como chuva.

Tempestade à vista

Nuvens de granizo precisam de calor e umidade para se formar

Com tempo normal, o ar quente – mais leve que o frio – sobe e carrega o vapor de água da atmosfera. A 1 quilômetro do chão, o vapor se resfria e forma as finíssimas gotas que compõem uma nuvem. Nessas condições de clima, a nuvem não cresce muito e provoca, no máximo, uma garoa

O oposto ocorre quando o clima está bem quente e úmido, fazendo grandes massas de ar, cheias de vapor, subirem. Ao esfriarem, elas dão origem a enormes nuvens de tempestade em forma de bigorna: as chamadas cúmulos-nimbos, que atingem altitudes de até 15 quilômetros e podem trazer tormentas fortes, incluindo granizo

Rajadas destruidoras

Quando o vento é intenso, apenas as nuvens de tempestades fortes sobrevivem

Sozinha, uma nuvem de tempestade não é garantia de granizo. Quando os ventos são fracos e sua velocidade não aumenta com a altitude, os cúmulos-nimbos não se desenvolvem por completo. Pode ocorrer chuva forte, mas raramente há destruição

Rajadas de vento de velocidade crescente nas altas altitudes desmancham as nuvens menores. Só sobrevivem os cúmulos-nimbos espessos. Formados por poderosas correntes de ar quente e úmido, eles trazem relâmpagos, granizo e até tornados

Preparar para atirar

Dentro da nuvem, a pedra de granizo vai ganhando peso até cair

As nuvens de tempestades fortes contêm em seu interior correntes de ar que sobem e descem. O ar quente empurra para cima as gotas de água que formam a nuvem. Quando elas atingem a altura de 5 quilômetros (onde a temperatura é inferior a 0ºC), congelam e viram pedras, que tendem a cair. Nesse sobe-e-desce, o granizo se choca com outras gotas e cristais de gelo e vai aumentando de tamanho. Quando seu peso é suficiente para vencer o ar quente que a sopra para cima, a pedra desaba

Radiografia da pedra gelada

Granizo não é gelo puro. Enquanto ganha tamanho, a pedra atravessa várias vezes a barreira de 0ºC. Por mudar de estado, é formada por camadas intercaladas de água líquida e cristais de gelo