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Como se identifica uma pintura falsificada?

Com análises visuais, fotográficas e laboratoriais. Detecta-se se estilos, técnicas e materiais são compatíveis com o pintor em questão

Por José Eduardo Coutelle Atualizado em 4 jul 2018, 20h11 - Publicado em 3 ago 2016, 15h19

ILUSTRA Thales Molina

Com análises visuais, fotográficas e laboratoriais. A pintura é investigada para detectar estilos, técnicas e materiais e checar se são compatíveis com o pintor em questão e com a época em que ele viveu. Também é possível descobrir se a obra foi rasurada, alterada, danificada ou restaurada no passado. O trabalho é importante, porque o mercado de arte tem muitas fraudes: estima-se que 40% de todas as pinturas expostas no mundo sejam falsificações. Há, inclusive, pintores que se especializam em imitar o estilo de artistas consagrados para criar obras novas, dizer que são dos famosos e cobrar uma nota por elas. Um caso que ganhou notoriedade foi a descoberta de que a pintura Madonna of the Veil, atribuída a Botticelli, foi feita na verdade três séculos depois da morte do renascentista.

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1) OLHO NA TELA

Primeiro, é feita uma análise a olho nu. Especialistas com grande conhecimento sobre o artista, conhecidos pelo termo francês connoisseurs, comparam a obra com trabalhos já consagrados. Eles analisam estilo, tema, formato das pinceladas, cores e também o estado de conservação da tela e do suporte de madeira. Van Gogh, por exemplo, se caracterizou por pinceladas curtas, densas e irregulares.

2) LENTE DA VERDADE

Uma análise minuciosa com uma lupa e, se necessário, microscópio, pode revelar se a pintura é uma fraude. Isso porque a ampliação da lente consegue distinguir os antigos pigmentos, que eram moídos à mão (e, por isso, eram mais grossos), dos modernos, produzidos industrialmente e bem mais finos.

3) BATE NA MADEIRA

A dendrocronologia é uma análise da moldura e do suporte. O número de anéis revela a idade da árvore, contando do centro (miolo) até a ponta (casca). A distância entre eles varia conforme a temperatura e a quantidade de água recebida, o que permite saber o local de origem da árvore. Existem várias regiões cujos padrões de anéis já foram tabulados, permitindo verificar se o quadro veio de onde se acredita ter vindo.

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4) SEGREDOS PARTICULARES

O processo mais complexo chama-se espectroscopia de infravermelho. Uma partícula com cerca de 5 mm de diâmetro é retirada da obra e analisada com luz infravermelha. Isso permite identificar a espessura de cada camada. de tinta e de verniz, além dos pigmentos e aglutinantes utilizados. Sabendo quando eles entraram em uso e em quais regiões, pode-se comparar com a datação oficial da obra.

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5) FOTOS E FATOS

Fotografando a obra com lentes macro, é possível ampliar detalhes. A iluminação é essencial: luzes rasantes, tangentes à pintura, destacam as irregularidades da superfície,o movimento dos pincéis e o modo de aplicação da tinta. São detalhes que podem ser comparados aos do suposto autor.

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6) CHAPA QUENTE

Assim como acontece com humanos, também dá para fazer radiografia (tirar raio X) de quadros. No caso, o objetivo é revelar pinturas adjacentes, alterações posteriores e a localização de pregos e massas de restauro. Um tubo emite a radiação, que atravessa a obra até atingir a chapa radiográfica. Nela ficam impressas, em tons de cinza, as partes ocultas.

7) DARK ROOM

A técnica de fluorescência tem ares de CSI. Iluminada apenas por lâmpadas de luz negra, a pintura é fotografada com ajuda de um filtro ultravioleta. As moléculas da tela começam a vibrar – quanto mais antigas as partículas, mais elas emitem luz. Isso permite visualizar retoques e repinturas.

8) CÓDIGO VERMELHO

Para saber o que há por trás da tinta, a obra é fotografada com um filtro infravermelho acoplado à câmera. Ele torna as camadas externas da pinturamais transparentes e evidencia os compostos que têm maior absorção, como as partículas de carbono, comumente utilizadas para fazer o rascunho. Com isso, dá para ver esboços, grafias e imagens que podem não condizer com o autor creditado. Também dá para usar a luz transversa, emitida pelo lado oposto da tela, que evidencia manchas, marcas e rupturas no suporte.

FONTESArtigos A Dendrocronologia Aplicada às Obras de Arte, de Lilia Esteves, Hieronymus Bosch e As Tentações de Santo Antão, de Sandra Hitner, Aplicação das Técnicas de Espectroscopia FTIR e de Micro Espectroscopia Confocal Raman à Preservação do Patrimônio, de Joana Gonçalves Leite, e Fotografia como Auxiliar de Restauro e Conservação de Pinturas de Cavalete, de Vicente Pagliaro Peixoto de Mel

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