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Como surgem as tempestades de areia?

Por Rodrigo Ratier Atualizado em 4 jul 2018, 20h11 - Publicado em 18 abr 2011, 18h52
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A maioria delas aparece naturalmente, com o aquecimento da superfície dos desertos. Ao amanhecer, os raios solares esquentam o solo, fazendo com que a temperatura do chão pule de 30 ºC às 8 da manhã para 80 ºC ao meio-dia. Esse enorme aquecimento rompe a camada fria que existe nas primeiras horas do dia próximo ao solo e origina ventos de até 100 km/h. A quantidade de sedimentos que esses sopros podem transportar é impressionante. Somente no deserto do Saara, na África, estima-se que os ventos do deserto carreguem anualmente 260 milhões de toneladas de areia para outras regiões. Desse total, cerca de 35 milhões de toneladas vão parar no oceano Atlântico. “A força do fenômeno é tamanha que as rajadas que sopram para o oeste levam grãos de areia até o arquipélago de Cabo Verde, a cerca de 500 quilômetros do litoral africano”, afirma o geógrafo Roberto Verdum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A areia pára por aí, mas a poeira fina vai ainda mais longe: erguidas pelo vento, partículas de pó cruzam o oceano Atlântico e aportam nas Américas, trazendo junto grande quantidade de bactérias e fungos que podem prejudicar os ecossistemas locais. Apesar de serem fenômenos naturais, as tempestades de areia podem acontecer com mais freqüência por causa da ação humana. O desmatamento e o esgotamento dos solos tendem a aumentar a área coberta pela areia. Aí, se a região tiver ventos fortes, o lugar torna-se propício para as tempestades. A situação é particularmente grave na China, onde violentas rajadas fazem as areias avançarem cerca de 3 mil quilômetros quadrados por ano, ameaçando soterrar 24 mil pequenas cidades e 30 mil quilômetros de rodovias nas próximas décadas.

Mergulhe nessa

Na internet:

http://www.unccd.int

http://www.geology.wisc.edu/courses/g115/projects03/bnysenbaum/sandstorms.htm

Ventania arrasadora Rajadas de 100 km/h fazem a areia viajar até 500 quilômetros

VANTAGEM VALIOSA

Adaptados ao deserto, os camelos possuem pálpebras duplas para proteger os olhos da areia, além de aberturas nasais que filtram o ar e impedem os grãos de chegar até os pulmões. Outros animais, porém, sofrem com os efeitos da areia. Uma das espécies mais vulneráveis é a cabra: nos rebanhos atingidos pela areia, alguns animais chegam a morrer sufocados com os grãos

SABEDORIA ANCESTRAL

No deserto do Saara, onde ocorrem até 80 tempestades de areia por dia, tuaregues e outros povos nômades se protegem contra a areia com túnicas que cobrem o corpo todo. Com um conhecimento milenar da dinâmica dos ventos desérticos, essas comunidades evitam caminhar perto do meio-dia, horário em que ocorrem mais tempestades

CARONA CONTINENTAL

Como os desertos geralmente possuem pouquíssima cobertura vegetal, essas regiões costumam ser o palco perfeito para o trabalho do vento. Nas grandes tempestades, os sopros levantam até 250 quilos de sedimentos em uma área de 1 km2. Em algumas situações, o pó viaja por milhares de quilômetros, cruza oceanos e chega a outros continentes

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SECA-RELÂMPAGO

Além de transportarem sedimentos, os ventos das tempestades possuem ainda uma enorme capacidade de evaporação. Por serem quentes e secos, os sopros conseguem secar riachos e lagos pequenos. Em outros casos, a deposição de sedimentos deixa os rios mais rasos. Mas a erosão eólica também cava terrenos baixos, fazendo aflorar novas fontes de água

SOBREVIVÊNCIA SUBTERRÂNEA

Acostumadas à areia, as plantas do deserto também têm defesas contra as tempestades. As tamareiras possuem raízes profundas para buscar nutrientes e vencer a camada de grãos que se deposita sobre o solo. Entre os animais, insetos e pequenos roedores como o rato-canguru cavam túneis subterrâneos e evitam as areias voadoras

Origem escaldante Fenômeno começa com o aquecimento matinal do solo

1 – A maior parte das tempestades de areia é causada por variações de temperatura na baixa atmosfera. Pela manhã, o Sol esquenta o ar, mas uma camada inferior de aproximadamente 30 centímetros, ainda gelada pelo frio da madrugada, demora mais para se aquecer. Por volta do meio-dia, o calor rompe a camada de ar frio. Essa quebra brusca gera ventos quentes e velozes bem próximos à superfície, chamados jatos rasteiros

2 – No início, os jatos rasteiros são horizontais, mas por serem leves e quentes eles também tendem a subir. A junção dos dois movimentos forma uma espiral que vai ganhando força, altura e velocidade. Está formada a tempestade: no final, os sopros atingem até 80 metros de altura e podem chegar a 100 km/h, carregando grãos de areia por até 500 qulômetros

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