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God of War renova franquia, muda gameplay e entrega aventura irresistível

Franquia amadurece seu estilo e seu protagonista e se torna uma das melhores aventuras em terceira pessoa já vistas

Chega hoje às lojas e à PSN Store um dos games mais aguardados do ano: God of War, primeira história de Kratos em cinco anos e a estreia da franquia na nova geração de consoles. Cercado de mistérios, o jogo já chega com avaliações altíssimas, inclusive a nota máxima em sites como IGN, GamesRadar+ e USGamer. E, se for por nós, acredite: o hype é verdadeiro.

O novo God of War mantém vários aspectos tradicionais da série, mas inova ao criar um sistema de combate mais refinado e apostar na exploração tanto quanto na ação. É um jogo diferente, que reflete a vida de seu protagonista: Kratos agora está mais velho, mais experiente e menos raivoso. Ele vai quebrar o pau com meio mundo, sim, mas vai pensar direito antes.

Um novo gameplay

 (Reprodução/Sony)

As primeiras mudanças que se nota jogando são no gameplay: o jogo abandonou os ângulos fixos e adotou a câmera por cima do ombro, que segue o personagem conforme ele se move e pode ser rotacionada pelo jogador. Só isso já faz uma diferença gigantesca, já que as lutas ficam mais dinâmicas e agitadas. Em vários momentos, você terá inimigos atacando de fora do seu ponto de visão, e isso será indicado na tela por setas que dizem de que lado eles vêm. Você precisa desviar antes que a ameaça te atinja, mesmo sem poder vê-la.

A câmera também ajuda muito a explorar os ambientes, que são praticamente todos feitos para serem observados com calma. Manipulando o olhar de Kratos, você encontrará baús, baldes suspensos quebráveis (com dinheiro dentro), caminhos alternativos, explosivos que liberam passagens e mais.

Kratos não usa mais as lâminas do Exílio (ou do Caos, ou de Atena), e sim um machado mágico chamado Leviatã. Em vez de ficar rodopiando as correntes e fatiando os inimigos, você agora realiza ataques diversos com o machado, incluindo combos e magias de gelo. Você pode melhorá-lo e equipá-lo com runas que criam benefícios extras. Ah, e o mais legal: você pode arremessá-lo em qualquer lugar e depois chamá-lo de volta, a exemplo do Mjolnir. Basta apertar triângulo e ele volta pra você, atropelando os inimigos no retorno.

Kratos também tem um escudo para refletir ataques, mas não usa mais um arco. Em vez disso, ele tem Atreus, seu filho pré-adolescente, que o acompanha em toda a jornada. Atreus tem um botão dedicado a ele, o quadrado. Basta apertá-lo para que o garoto atire flechas nos inimigos. Há vários tipos de flecha disponíveis (luminosas, elétricas, etc.) e você também pode equipar runas no arco, o que libera ataques de criaturas místicas como lobos, corvos e alces. Aliás, não fique desconfiado de Atreus: ele não está lá pra te aborrecer, e sim para ajudar.

Kratos, pai de família

 (Reprodução/Sony)

Quando você começa God of War, a história não te dá explicações: você é Kratos, está na Escandinávia (Midgard) e tem um filho. Não é dito como o personagem deixou a Grécia, por que foi para lá, como conheceu a mãe do garoto, onde foram parar suas armas, nada. Você entra de cara na aventura e nenhuma pergunta é respondida.

 

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Não terminei o game, mas, até o ponto em que eu joguei, ainda não recebi nenhuma resposta. É bem possível que o final da história tenha a ver com o passado de Kratos, mas é igualmente possível, se não mais, que tudo foi realmente deixado para trás. Por todos os ângulos possíveis, a Santa Monica Studios quis criar um novo Kratos, e não faria sentido ficar ruminando plots antigos.

A história, aliás, é o ponto central deste God of War. Sem dar spoilers, basta dizer que Kratos e Atreus tomam para si uma missão no começo do jogo e, para completá-la, precisam chegar no ponto mais alto dos nove reinos. No caminho, os dois conhecem todos os mundos da mitologia nórdica, os deuses e as criaturas. Os anões, por exemplo, fazem melhorias para suas armas, enquanto a serpente do mundo, Jormungand, o auxilia na jornada. Você vai encontrar Thor, Balder, Freya e muitos outros.

Não é mundo aberto, mas é quase

 (Reprodução/Sony)

Outra característica marcante de God of War é que ele abandona a linearidade da aventura e permite uma exploração menos engessada. Em muitas partes, há mais de um caminho possível a seguir (especialmente em Midgard, que possui uma área central cheia de pequenas aventuras no entorno). Você pode voltar para áreas prévias por viagem rápida e priorizar missões secundárias para se fortalecer antes de seguir pela jornada principal. Há muitas áreas pequenas com puzzles para resolver, inimigos para abater e baús para coletar. Passando por elas, você ganha recompensas para fazer aprimoramentos. Não chega a ser um mundo aberto, pois a exploração dentro de cada área segue um caminho pré-determinado, mas é bem próximo disso.

Não são só as armas que podem ser melhoradas. É possível vestir Kratos com armaduras que você encontra no caminho ou que você forja entregando loot para os anões. As armaduras podem ser melhoradas com o dinheiro que você coleta no jogo e existem dezenas de cada tipo (torso, braços, cintura e pernas) para comparar e escolher. Algumas são lindíssimas.

Todo esse esquema de melhorias é bem mais sofisticado e complexo que o antigo, em que você coletava orbes vermelhos que serviam como moeda para melhorar as armas de Kratos. Agora há vários tipos de materiais coletáveis e, muitas vezes, as melhorias dependem de você ter vários deles. Somando ao mundo quase aberto, dá para ver que God of War se transformou muito e ficou mais difícil de rotular. Era um hack and slash em terceira pessoa, agora é isso e muito mais.

Veredito

 (Reprodução/Sony)

God of War continua sendo God of War, com hordas de inimigos spawnando em lugares vazios, monstros gigantes para derrotar, sangue voando loucamente e dificuldade lá em cima. Mas é um jogo que, assim como Kratos, ganhou um novo propósito para existir e está mais maduro por causa disso. Você vai se divertir tanto abrindo demônios ao meio quanto navegando calmamente com seu filho por um lago e conversando com ele.

Vale a pena jogar não pela nostalgia, pois o game oferece pouca, mas pelas possibilidades que o gameplay repensado apresenta e pelas belezas do mundo nórdico recriado. A Santa Monica Studios já sinalizou que este jogo terá uma sequência, então é bem provável que todo este novo universo criado para Kratos seja apenas a ponta de um longo iceberg que iremos desvendar. Nossa aposta é que a viagem por esses jogos será tão boa quanto da primeira vez.

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