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Joseph Rao Kony, o líder africano que recrutava soldados infantis

O líder africano que teve crimes contra a humanidade revelados ao mundo por um vídeo viral na Internet

Por Danilo Cezar Cabral Atualizado em 4 jul 2018, 20h18 - Publicado em 16 mar 2017, 17h40
Índio San/Mundo Estranho

1) Joseph Rao Kony nasceu em 1961 no vilarejo de Odek, norte de Uganda, cuja maioria da população é da etnia acholi. Filho de lavradores, Kony sempre apelava para a violência na hora de resolver as disputas com os irmãos. Foi coroinha na paróquia local e desde cedo teve ligações com a Igreja Católica.

2) Aos 15 anos, após a morte do irmão, virou líder espiritual de sua aldeia. Influenciado pelo Movimento do Espírito Santo (grupo rebelde com nuances religiosas), formou uma unidade paramilitar em conjunto com outras organizações para atacar vilarejos que apoiavam o governo.

3) Aproveitando-se da fama de ter poderes espirituais, começou a ditar regras a seus seguidores. Defensor da poligamia e dos ensinamentos (ao pé da letra) da Bíblia, Kony encontrou justificativas distorcidas para suas ações e para a manutenção de sua autoridade.

 

4) Em 1988, se juntou ao fundador do Exército Democrático de Uganda (outro grupo rebelde) e passou a usar táticas militares em seus ataques. Ao vencer pequenos confrontos contra tropas do governo, ganhou seguidores, principalmente no norte do país.

5) Com ajuda financeira e militar do Sudão (país vizinho de Uganda), Kony oficializou seu grupo rebelde, batizando-o de Exército de Resistência do Senhor (na sigla em inglês, LRA). Seu objetivo era estabelecer um estado teocrático (governado por Deus) em Uganda.

6) O grosso das tropas de Kony era formado por soldados mirins, que eram capturados nas vilas atacadas, após terem os pais assassinados pelo LRA. Outra forma de recrutamento era doutrinar crianças que viviam em situação de extrema pobreza nos vilarejos ugandenses.

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7) Em março de 2012, o documentário Kony 2012, produzido pela ONG Invisible Children sobre os abusos que Kony cometia com crianças, se tornou o maior vídeo viral da história até então. Em apenas seis dias, a peça bombou nas redes sociais e foi visualizada mais de 100 milhões de vezes.

 

QUE FIM LEVOU?

Condenado por crimes contra humanidade pelo Tribunal Internacional de Haia e procurado pela Interpol, Kony está foragido. Em 2013, relatos indicavam que sua saúde estava precária. Muitos acreditam que já esteja morto.

 

FONTES Livros: Kony and the LRA: Stories from the Children, de Paul Raffaele, e First Kill Your Family: Child Soldiers of Uganda and the Lord´s Resistance Army, de Peter Eichstaedt; sites invisiblechildren.com, kony2012.com, haguejusticeportal.net e interpol.int

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