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Mulheres que mudaram a história: Rosa Parks

Ela se recusou a ceder o lugar no ônibus. Passou mais 50 anos defendendo os direitos dos negros

 (Maurício Planel/Mundo Estranho)

O que foi: Ativista
Onde viveu: Estados Unidos
Quando nasceu e morreu: 1913-2005

Era 1º de dezembro de 1955, e a costureira de 42 anos saiu do trabalho e se sentou dentro de um ônibus, em Montgomery, no Alabama, EUA. Estava no primeiro lugar reservado para pessoas “de cor”. Três pontos depois, o veículo ficou lotado. A lei estadual determinava que, nesses casos, os negros tinham que se levantar. A fileira tinha quatro lugares. Apenas três pessoas se levantaram.

Rosa Parks se recusou e por isso foi presa. O caso fez com que ela perdesse o emprego. Em resposta, os negros da cidade passaram a boicotar os ônibus. E um pastor até então desconhecido começou a ganhar destaque. Seu nome era Martin Luther King. Ele havia acabado de chegar à região e liderou as manifestações de repúdio à prisão de Rosa.

Pouco mais de um ano depois, a lei dos assentos de ônibus seria revogada pela Suprema Corte. Enquanto isso, os rejeitados se mantiveram andando a pé. O transporte público da cidade entrou em colapso.

AMEAÇAS DE MORTE
O gesto de Rosa Parks era expressivo para um país em que, quase 100 anos depois do fim da escravidão, parte da população não podia votar nem frequentar determinados mercados, escolas e restaurantes. Aliás, os ônibus eram simbólicos: crianças negras não podiam usá-los para ir para a escola. Rosa já debatia o racismo institucionalizado desde 1943, quando, por influência do marido, o barbeiro Raymond Parks, entrou para a Associação Nacional pelo Avanço das Pessoas de Cor. Ali, aliás, era uma das poucas mulheres, porque as lideranças acreditavam que elas não tinham condições de debater política.

A vitória contra os ônibus deixou a situação de Rosa Parks mais difícil. Ninguém queria dar emprego a ela e as agressões eram constantes. De tanto receber ameaças de morte, ela se mudou para Detroit em 1957. Ali, continuou exercendo sua militância, especialmente nos anos 1960 e 1980.

DÉCADAS DE LUTA
Mesmo diante de inegáveis avanços, a ativista seguiu defendendo que havia muito a conquistar. Morreria em 2005, antes de ver Barack Obama chegar à presidência. A fundação que ela criou apostava na formação dos jovens de qualquer etnia. Todos eram bem-vindos para aprender desde a história dos direitos civis até uma nova profissão.

Rosa continuou andando de ônibus enquanto teve saúde. Ao fim da vida, morava de aluguel em Detroit. Apesar disso, continuava sendo reconhecida pela coragem. Ao ser recebida na Casa Branca, anos antes, ouviu do presidente Bill Clinton: “Rosa Parks hoje está sentada ao lado da primeira-dama. E pode sentar ou levantar, a escolha é dela”.

 

SEUS GRANDES ACERTOS

  • Arriscou a vida
    Rosa perdeu o emprego e poderia ter sido assassinada. Ainda assim, colocou-se em perigo para defender a luta contra o racismo
  • Trabalhou muito
    Em Detroit, foi secretária do deputado John Convers entre 1965 e 1988. Ao lado de Convers, atuou pela integração racial na cidade
  • Preparou jovens
    Desde 1987, o Instituto Rosa & Raymond Parks para o Autodesenvolvimento fornece cursos de verão para jovens de todas as etnias

SEUS GRANDES FRACASSOS

  • Foi radical
    No fim dos anos 1960, Rosa chegou a se aproximar, por alguns meses, de grupos de ativistas que defendiam o uso da violência. Chegou a defender suas causas e o uso de armas. Mas, nos anos 1970, se afastou por alguns anos de qualquer tipo de militância
  • Não foi inovadora
    Outras pessoas vinham se recusando a deixar seus assentos. O caso de Rosa foi usado como pretexto, principalmente porque ela era uma mãe de família respeitável. Mas, nas reuniões dos grupos antirracismo, ela não tinha voz entre os líderes

DICA DE FILME
Angela Bassett revive o ato de resistência da ativista em A História de Rosa Parks, de 2002

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