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Mulheres que mudaram a história: Rosa Parks

Ela se recusou a ceder o lugar no ônibus. Passou mais 50 anos defendendo os direitos dos negros

Por Tiago Cordeiro
Atualizado em 22 fev 2024, 10h06 - Publicado em 6 mar 2018, 12h06
(Maurício Planel/Mundo Estranho)

O que foi: Ativista
Onde viveu: Estados Unidos
Quando nasceu e morreu: 1913-2005

Era 1º de dezembro de 1955, e a costureira de 42 anos saiu do trabalho e se sentou dentro de um ônibus, em Montgomery, no Alabama, EUA. Estava no primeiro lugar reservado para pessoas “de cor”. Três pontos depois, o veículo ficou lotado. A lei estadual determinava que, nesses casos, os negros tinham que se levantar. A fileira tinha quatro lugares. Apenas três pessoas se levantaram.

Rosa Parks se recusou e por isso foi presa. O caso fez com que ela perdesse o emprego. Em resposta, os negros da cidade passaram a boicotar os ônibus. E um pastor até então desconhecido começou a ganhar destaque. Seu nome era Martin Luther King. Ele havia acabado de chegar à região e liderou as manifestações de repúdio à prisão de Rosa.

Pouco mais de um ano depois, a lei dos assentos de ônibus seria revogada pela Suprema Corte. Enquanto isso, os rejeitados se mantiveram andando a pé. O transporte público da cidade entrou em colapso.

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AMEAÇAS DE MORTE
O gesto de Rosa Parks era expressivo para um país em que, quase 100 anos depois do fim da escravidão, parte da população não podia votar nem frequentar determinados mercados, escolas e restaurantes. Aliás, os ônibus eram simbólicos: crianças negras não podiam usá-los para ir para a escola. Rosa já debatia o racismo institucionalizado desde 1943, quando, por influência do marido, o barbeiro Raymond Parks, entrou para a Associação Nacional pelo Avanço das Pessoas de Cor. Ali, aliás, era uma das poucas mulheres, porque as lideranças acreditavam que elas não tinham condições de debater política.

A vitória contra os ônibus deixou a situação de Rosa Parks mais difícil. Ninguém queria dar emprego a ela e as agressões eram constantes. De tanto receber ameaças de morte, ela se mudou para Detroit em 1957. Ali, continuou exercendo sua militância, especialmente nos anos 1960 e 1980.

DÉCADAS DE LUTA
Mesmo diante de inegáveis avanços, a ativista seguiu defendendo que havia muito a conquistar. Morreria em 2005, antes de ver Barack Obama chegar à presidência. A fundação que ela criou apostava na formação dos jovens de qualquer etnia. Todos eram bem-vindos para aprender desde a história dos direitos civis até uma nova profissão.

Rosa continuou andando de ônibus enquanto teve saúde. Ao fim da vida, morava de aluguel em Detroit. Apesar disso, continuava sendo reconhecida pela coragem. Ao ser recebida na Casa Branca, anos antes, ouviu do presidente Bill Clinton: “Rosa Parks hoje está sentada ao lado da primeira-dama. E pode sentar ou levantar, a escolha é dela”.

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