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O que acontece no corpo de quem passa muito tempo no espaço?

A ausência de gravidade, o isolamento e as altas doses de radiação afetam desde a massa muscular e o paladar até a imunidade e o ritmo de sono

Por Gabriela Monteiro Atualizado em 14 fev 2020, 17h33 - Publicado em 2 out 2017, 18h01

SAIU DA JAULA O MONSTRO
Sem a gravidade terrestre, o corpo reduz a produção de células dos músculos porque “entende” que eles não precisam de tanto reforço. Partes que mais lutam contra essa força aqui na Terra, como a panturrilha e as costas, podem perder até 25% da massa muscular já nos primeiros dias de espaço. Astronautas fazem exercícios com elásticos para reduzir essa atrofia, mas mesmo assim a perda de massa chega a 5% por semana.

Chiquinha/Mundo Estranho

ESQUELETO DE VIDRO
Assim como acontece com as fibras musculares, o corpo é desestimulado a produzir células dos ossos na ausência de gravidade. Resultado: a massa óssea cai em uma taxa de 1% ao mês, e projeções sugerem que essa perda só pararia na casa dos 60%.

CRESCIMENTO TEMPORÁRIO
A gravidade ajuda a manter as vértebras “pressionadas” umas contra as outras. Sem essa força, elas se distanciam entre si. Isso aumenta a altura do astronauta em até 3% (para uma pessoa com 1,80 m, isso significa “crescer” para 1,85 m). Legal, né? Que nada. Quando ele volta pra Terra, sofre uma dolorosa compressão da coluna.

Chiquinha/Mundo Estranho

QUAL LADO É PRA CIMA?
A falta de gravidade também afeta o nosso aparelho vestibular, que nos dá senso de equilíbrio com base na posição de um líquido dentro de um órgão oco no nosso ouvido interno. Sem gravidade, esse líquido “flutua” lá dentro e causa tonturas, dores de cabeça, coriza e uma baita desorientação.

  • Chiquinha

    MUITO POUCO SANGUE
    Sem gravidade, o sangue corre doido por todo o corpo, diferentemente do que rola na Terra, onde ele “desce” para os pés. A pressão sanguínea no cérebro sobe, o que é interpretado pelo organismo como excesso de sangue. Resultado: o corpo para de produzi-lo, e o volume cai 22% em três dias. Sem sangue para bombear, o coração atrofia e a pressão arterial desce.

    Chiquinha/Mundo Estranho

    NÃO ME TOQUE
    Como a vida no espaço não tem brisas no rosto, empuxo da gravidade na pele nem contato prolongado entre ela e objetos (como o atrito constante com roupas), os astronautas perdem sensibilidade na pele. E o tato não é único sentido alterado: o olfato e o paladar também ficam menos apurados, por causa do pouco uso.

    Chiquinha/Mundo Estranho

    DE REPENTE, 30
    No espaço, fora da atmosfera protetora da Terra, os astronautas ficam sujeitos à radioatividade intensa do Sol e de outros corpos celestes. Não é um problema do nível de Chernobyl, mas é feio: as células do corpo envelhecem muito mais rápido e o risco de desenvolver câncer aumenta. E não, as naves atuais não têm proteção contra a radiação.

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    Chiquinha/Mundo Estranho

    SÍNDROME DA CABINE
    Passar meses flutuando no espaço com astronautas meio desconhecidos ponderando sobre a pequenez humana toda vez que se observa a Terra pela escotilha não é fácil. Depressão, conflitos internos e vontade de abrir a porta da estação espacial e tornar-se um só com o Nada são alguns dos efeitos psicológicos que podem rolar “lá fora”.

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    DIFÍCIL REGRESSO

    Voltar para a Terra também afeta a saúde de quem se aventura pelo espaço

    Miopia
    80% dos astronautas que passam períodos de meses no espaço voltam com algum problema de visão, geralmente miopia. Exames mostram que o fundo dos seus olhos se achata com a temporada, e a teoria mais aceita é a de queo acúmulo de sangue na cabeça de algum jeito empurra o fundo dos olhos, deformando-os.

    Baixa no sistema imunológico
    Apesar de seguirem uma dieta rigorosa e rica em vitaminas, os astronautas voltam com anemia e uma contagem baixa de leucócitos, células de defesa do corpo. Estudos recentes da Nasa mostram que, durante a viagem, osistema imunológico fica “confuso” com o ambiente (radioativo, sem gravidade, enclausurado) e volta avariado para a Terra.

    Insônia
    Embora a Nasa recomende 8,5 horas de sono nas missões da Estação Espacial Internacional, os astronautas não conseguem dormir mais do que seis horas e pouco. Ninguém sabe ao certo por que isso acontece, mas principal suspeito é o estranho ciclo do Sol do ponto de vista da estação em órbita, em que ele nasce e se põe a cada 90 minutos.

    Esforço dobrado
    Toda aquela perda de massa muscular não é tão incômoda lá no espaço, sob microgravidade. Mas, chegando à Terra, a sensação é de um peso fenomenal, e tarefas simples como arremessar uma bola de tênis ficam extremamente difíceis. Para ter uma ideia, um cobertor sobre o corpo de um astronauta nessa situação dá a sensação de pesar 5 kg.

    FONTES Sites Space, Nasa, AAO, Washington Post e Daily Mail

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