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O que esperar de “O Mecanismo”?

Série da Netflix inspirada na Operação Lava Jato estreia nesta sexta (23)

Por Da Redação Atualizado em 14 fev 2020, 17h27 - Publicado em 23 mar 2018, 18h22

Quando o diretor José Padilha (Tropa de Elite) anunciou que estava desenvolvendo uma série para a Netflix sobre o escândalo de corrupção da Petrobras, em 2016, ninguém sabia ao certo qual seria a sua história: como a extensa e complexa investigação da Polícia Federal seria adaptada para a televisão? Quem seriam seus personagens?

Corta para 2018. Depois de Narcos, Padilha, junto à roteirista Elena Soárez, traz O Mecanismo, a segunda produção original brasileira a entrar no catálogo do serviço de streaming. O primeiro episódio foi exibido ao público no lançamento da produção e, de cara, já dá para observar alguns pontos sobre a trama.

O enredo

Apesar de inspirada no livro “Lava Jato: O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”, do jornalista  Vladimir Netto, a série passa longe de ser um retrato fiel da realidade: a investigação e a situação política atual do país serviram de base para a história, mas ela não se preocupa em seguir à risca aquilo que vimos nos jornais nos últimos anos.

No primeiro episódio, quem movimenta a narrativa é o investigador Marco Ruffo (Selton Mello). Com duas décadas de experiência, ele está atrás do doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Diaz) e do seu esquema de desvio de dinheiro. Com a ajuda da policial Verena Cardoni (Caroline Abras), eles até conseguem prendê-lo, mas por pouco tempo: a série logo demonstra que o buraco da corrupção é mais embaixo.

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Os personagens

Em uma entrevista ao Correio Braziliense, Selton Mello revelou que Ruffo foi inspirado no policial Gerson Machado, que em 2003 foi o responsável pela descoberta do esquema de lavagem de dinheiro do doleiro (olha só) Alberto Youssef, em Curitiba. E é a partir daí que O Mecanismo começa.

Padilha não mediu esforços para criar personagens baseados em figuras públicas. Do juiz Sérgio Moro aos ex-presidentes Lula e Dilma, ninguém escapou de uma representação. No entanto, algo que só será possível observar com os próximos episódios é se todos eles conseguirão ser desenvolvidos a ponto de escapar da rasa caricatura que o primeiro episódio faz deles.

  • A adaptação

    Um ponto divertido da série é a quantidade de referências possíveis de identificar. Aqui, a Polícia Federal virou Polícia Federativa; a Petrobras, Petrobrasil, e por aí vai. A justificativa para a mudança nos nomes das organizações (e dos personagens) vem do fato de que a série não se preocupa em seguir minuciosamente o que aconteceu na vida real. O que faz muito sentido, se pararmos para pensar que as investigações da Lava Jato não terminaram.

    Com isso, saem de cena os diálogos truncados e os longos julgamentos para uma trama focada no trabalho da polícia, com algumas doses de ação. Resta saber, porém, se tais adaptações não irão frustrar quem estava esperando por um relato mais fiel da movimentação política do Brasil nos últimos anos.

    Mas, para descobrir se essa liberdade criativa não vai atrapalhar a qualidade da história, só assistindo mesmo: os oito episódios da primeira temporada de O Mecanismo estão disponíveis a partir de hoje, 23 de março, na Netflix.

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