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O que foi a Guerra do Paraguai?

Por Roberto Navarro - Atualizado em 4 jul 2018, 20h20 - Publicado em 18 abr 2011, 18h52

Travada na segunda metade do século 19, ela foi o mais sangrento conflito da América Latina independente e o mais importante da história do Brasil. “A guerra durou cinco anos e mobilizou cerca de 140 mil brasileiros, dos quais morreram uns 50 mil”, diz o historiador Francisco Doratioto, da Universidade Católica de Brasília. Em meados do século 19, o Paraguai se estranhava com o Brasil e a Argentina por causa de disputas comerciais e fronteiriças. Ao mesmo tempo, o Uruguai se esforçava para manter sua independência diante dos interesses de brasileiros e argentinos no seu território. Em 1864 e 1865, Francisco Solano López, ditador paraguaio, lançou ataques contra o Brasil (no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul) e contra a Argentina para desestimular as interferências dos dois países na política uruguaia.

Em resposta aos ataques, o Brasil, quem diria, uniu-se à Argentina e ao Uruguai, formando a Tríplice Aliança. Em pouco tempo, as tropas aliadas reuniram mais soldados que o Exército de Solano López e não só o fizeram recuar das invasões como deram o troco, entrando no Paraguai. Entre 1865 e 1868, ocorreram inúmeras batalhas sangrentas, causando pesadas baixas de ambos os lados. Mas, em dezembro de 1968, o Exército paraguaio já estava aniquilado e logo as tropas brasileiras ocuparam Assunção. Solano López, porém, só seria morto em março de 1870, quando definitivamente o confronto foi encerrado. O resultado da guerra foi trágico para o Paraguai: sua economia foi destruída, boa parte da população dizimada e o país ainda perdeu uma área equivalente a um terço do seu território atual, terras que foram anexadas ao Brasil e à Argentina.

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Na livraria:

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Maldita Guerra – Nova História da Guerra do Paraguai, Francisco Doratioto, Companhia das Letras, 2002

Na internet:

http://geocities.yahoo.com.br/guerrapara/

http://www.militar.com.br/artigos/artigos2000/guillhaume/hist_gerra_paraguai.htm

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Batalha decisiva
Ataque paraguaio a acampamento de brasileiros e aliados causou 17 mil baixas

A maior batalha campal da América do Sul foi travada em 24 de maio de 1866, em Tuiuti, no sul do Paraguai. Numa estreita faixa de terra, cercada de pântanos e matagais, os aliados (Brasil, Argentina e Uruguai) tinham um acampamento que foi atacado por mais de 20 mil paraguaios, num combate que durou quatro horas. Entre mortos e feridos, os paraguaios tiveram 13 mil baixas e os aliados, 4 mil. A derrota enfraqueceria decisivamente o Paraguai

1. Mosquetes, sabres e baionetas

Uma das armas mais usadas na Guerra do Paraguai era o mosquetão. Carregado pela boca, ele podia ter acoplada ao cano uma baioneta, para as lutas homem a homem. Os oficiais usavam sabres longos e revólveres ou pistolas. Os paraguaios tinham armas de fogo inferiores, mas, por outro lado, destacavam-se usando lanças de madeira

2. Força cavalar

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Em Tuiuti, a cavalaria brasileira era numericamente inferior à paraguaia, mas conseguiu prevalecer sobre o inimigo. Um dos segredos estava na alimentação dos animais. Enquanto os cavalos paraguaios pastavam capim, parte dos brasileiros era criada com milho, o que os deixava mais fortes

3. Tática inovadora

Nesta batalha, ocorreram combates corpo-a-corpo, com os soldados se enfrentando a golpes de baioneta, mas boa parte da Guerra do Paraguai foi travada entre tropas imobilizadas em trincheiras, tática que seria muito usada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Atiradores se especializavam em matar à distância inimigos que se expunham

4. Defesa espinhosa

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Na frente do acampamento em Tuiuti, os aliados construíram um fosso largo e profundo, com elevações onde foram posicionados 28 canhões. Essa linha de defesa contava ainda com fossos camuflados com afiadas estacas de madeira no fundo. Os paraguaios tinham alguns canhões, mas a superioridade da artilharia aliada era esmagadora e decidiu a batalha

5. Acampamento ou cidade?

As tropas aliadas ficaram quase dois anos paradas em Tuiuti. Perto do acampamento, comerciantes ergueram barracas para vender armamentos, bebidas e comidas, para complementar os suprimentos fornecidos aos militares. Também viviam no local algumas famílias de soldados, além de muitos fotógrafos civis e prostitutas

6. Entregues à própria sorte

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Hospitais de campanha providenciavam os primeiros socorros aos feridos, mas os medicamentos eram escassos e muitas vezes faltava anestesia para cirurgias e amputações. Não havia gente suficiente para resgatar os feridos, que em várias ocasiões foram abandonados onde haviam caído, sendo mais tarde executados pelos inimigos

7. Confusão de fardas

Vindos de várias regiões diferentes, os soldados brasileiros e seus aliados usavam uma enorme variedade de uniformes, embora predominasse a farda azul. Já os soldados paraguaios tinham um quepe característico, de couro rígido, além de camisa vermelha. Quase todos os paraguaios combatiam descalços, incluindo alguns oficiais

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