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O que são os corvos de Hempel?

Segundo o filósofo alemão Carl Gustav Hempel, observar a cor de uma maçã pode determinar a cor de um corvo

Por Bruno Lazaretti
Atualizado em 22 fev 2024, 10h39 - Publicado em 7 ago 2014, 18h52

São um aparente paradoxo lógico proposto em 1945 pelo filósofo alemão Carl Gustav Hempel (1905-1997). Ele coloca em cheque o critério de Nicod, proposto pelo filósofo Jean Nicod (1893-1924), segundo o qual uma hipótese do tipo “Todos os corvos são pretos” é confirmada pela observação de corvos pretos, invalidada pela observação de corvos verdes e não afetada pela observação de maçãs de qualquer cor. Hempel desafia essa noção propondo, por meio da lógica, que a observação de maçãs – ou de qualquer outra coisa que não o objeto postulado – pode confirmar, sim, a hipótese inicial (veja abaixo).

Os corvos de Hempel fizeram voar penas na filosofia da ciência, e até hoje são motivo de discussão acadêmica, já que discutem as “regras” científicas e podem determinar, por exemplo, que tipo de evidência pode ou não derrubar ou confirmar uma hipótese.

Lógica absurda

Segundo Hempel, observar a cor de uma maçã pode determinar a cor de um corvo

1. TODOS OS CORVOS SÃO PRETOS

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Essa é a hipótese inicial. Traduzindo a notação matemática que representa essa afirmação, a totalidade dos corvos pretos está contida no grupo de todas as coisas existentes cuja coloração é preta

2. TUDO O QUE NÃO É PRETO NÃO É UM CORVO

Por equivalência lógica, chegamos a essa hipótese. Ou seja, tudo o que está fora do grupo de coisas que são pretas logicamente não pode se tratar de um corvo, formando o grupo de coisas “não corvo”

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3. MEU CORVO É PRETO

Um exemplar de corvo preto é observado individualmente. Se ele fosse de outra cor, invalidaria a proposição de que todos os corvos são pretos. Segundo o critério de Nicod, se o bicho fosse um hipopótamo (um “não corvo”), sua cor não interferiria na hipótese inicial

4. ESTA MAÇÃ É VERDE, LOGO…

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… todos os corvos (ainda) são pretos! Aí está o paradoxo: essa observação valida a hipótese de que tudo que não é preto não é um corvo, demonstrada acima. Em outras palavras, é o absurdo de que, logicamente, olhando uma maçã verde, é possível afirmar com mais segurança que todos os corvos são pretos

FONTES Stanford Encyclopedia of Philosophy e Routledge Encyclopedia of Philosophy

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