Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

O que são os corvos de Hempel?

Segundo o filósofo alemão Carl Gustav Hempel, observar a cor de uma maçã pode determinar a cor de um corvo

Por Bruno Lazaretti Atualizado em 4 jul 2018, 20h24 - Publicado em 7 ago 2014, 18h52

São um aparente paradoxo lógico proposto em 1945 pelo filósofo alemão Carl Gustav Hempel (1905-1997). Ele coloca em cheque o critério de Nicod, proposto pelo filósofo Jean Nicod (1893-1924), segundo o qual uma hipótese do tipo “Todos os corvos são pretos” é confirmada pela observação de corvos pretos, invalidada pela observação de corvos verdes e não afetada pela observação de maçãs de qualquer cor. Hempel desafia essa noção propondo, por meio da lógica, que a observação de maçãs – ou de qualquer outra coisa que não o objeto postulado – pode confirmar, sim, a hipótese inicial (veja abaixo).

Os corvos de Hempel fizeram voar penas na filosofia da ciência, e até hoje são motivo de discussão acadêmica, já que discutem as “regras” científicas e podem determinar, por exemplo, que tipo de evidência pode ou não derrubar ou confirmar uma hipótese.

Lógica absurda

Segundo Hempel, observar a cor de uma maçã pode determinar a cor de um corvo

1. TODOS OS CORVOS SÃO PRETOS

Essa é a hipótese inicial. Traduzindo a notação matemática que representa essa afirmação, a totalidade dos corvos pretos está contida no grupo de todas as coisas existentes cuja coloração é preta

Continua após a publicidade

2. TUDO O QUE NÃO É PRETO NÃO É UM CORVO

Por equivalência lógica, chegamos a essa hipótese. Ou seja, tudo o que está fora do grupo de coisas que são pretas logicamente não pode se tratar de um corvo, formando o grupo de coisas “não corvo”

3. MEU CORVO É PRETO

Um exemplar de corvo preto é observado individualmente. Se ele fosse de outra cor, invalidaria a proposição de que todos os corvos são pretos. Segundo o critério de Nicod, se o bicho fosse um hipopótamo (um “não corvo”), sua cor não interferiria na hipótese inicial

4. ESTA MAÇÃ É VERDE, LOGO…

… todos os corvos (ainda) são pretos! Aí está o paradoxo: essa observação valida a hipótese de que tudo que não é preto não é um corvo, demonstrada acima. Em outras palavras, é o absurdo de que, logicamente, olhando uma maçã verde, é possível afirmar com mais segurança que todos os corvos são pretos

FONTES Stanford Encyclopedia of Philosophy e Routledge Encyclopedia of Philosophy

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Transforme sua curiosidade em conhecimento. Assine a Super e continue lendo

Impressa + Digital

Plano completo da Super. Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao Site da SUPER, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Receba mensalmente a SUPER impressa mais acesso imediato às edições digitais no App SUPER, para celular e tablet.

a partir de R$ 12,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

App SUPER para celular e tablet, atualizado mensalmente.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)