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O que são planetas órfãos?

São planetas sem estrela. Bom para fazer isolamento social – não fosse a amena temperatura de 273,15 ºC negativos na superfície.

Por Leandro Saioneti, Bruno Vaiano
Atualizado em 22 fev 2024, 10h05 - Publicado em 2 Maio 2018, 16h14

Planeta órfão – como o nome já permite inferir – é um planeta que não gira em torno de uma estrela. O bichinho é um balaço solitário, vagando pelo espaço interestelar.

Se a solidão lhe apraz e você está cansado da superpopulação do Sistema Solar, más notícias: como esses planetas não têm nenhuma fonte de luz ou calor, a temperatura em suas superfícies praticamente se iguala à do vácuo: 273 ºC negativos, o famoso zero absoluto. (Quando um hippie aplaude o pôr-do-Sol, é merecido. Esse sim é um estrelão gente-fina.)

Todo planeta nasce a partir do disco protoplanetário em torno de uma jovem estrela. Para visualizar o tal disco, pense que o Sol, em sua mais tenra infância, tinha anéis de rocha, poeira e gás, exatamente como Saturno. Mas em uma escala muito maior. Um disco de vinil gigante e imponente, que ocupava todo o diâmetro onde hoje ficam as órbitas dos planetas. 

O material desse disco corresponde a só 0.2% da massa total do Sistema Solar. Os outros 99,8% estão no Sol em si. Ou seja: é um disco de rebarbas. Que se aglutinam com uma forcinha da gravidade para formar planetas.

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(Todo planeta se origina dos restos da formação de uma estrela. A Terra é uma bola de reboco cósmico que sobrou de uma obra monumental. Para você ver o quanto vale a pena reciclar as coisas. Aí de quem o Oráculo pegar jogando latinha do lixo comum.)

O disco protoplanetário é um lugar inóspito. Nos primeiros estágios da existência de um sistema estelar, há muitas colisões entre corpos de diferentes tamanhos, que desequilibram as órbitas. É nesse momento, geralmente, que a dança gravitacional desfavorece um planeta e ele sai dos trilhos – fadado a vagar pelo espaço para sempre. Assim surge um órfão. 

Detectar planetas orfãos é bem difícil: astrônomos gostam de encontrar exoplanetas (planetas de fora do Sistema Solar) pela sombra que eles fazem quando passam na frente de suas estrelas – algo impossível com um planeta sem estrela. Outro método envolve analisar a influência sutil da gravidade deles sobre a rotação das estrelas que os hospedam, outro método que evidentemente não se aplica ao caso de um astro solitário. 

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Por isso, a incidência de órfãos na Via Láctea é incerta: até 2018, os astrônomos haviam encontrado apenas 16 astros confirmados como planetas órfãos ou candidatos à posição. Os cinco maiores (em termos de massa) são, nessa ordem: UGPS J072227.51-054031.2, WISE J1741-464, OTS 44 e Cha 110913-773444. Vale dizer que a existência de nenhum desses cinco pôde ser confirmada.

 

Fontes: Roberto Dell’Aglio Dias da Costa, professor do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, e Othon Winter, astrofísico.

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