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O tamanho do espermatozoide varia entre os animais?

Varia muito! “Assim como o tamanho, o formato da célula reprodutiva masculina também varia de uma espécie para outra”, explica a veterinária Flávia Thomaz Verechia Pereira, da Unesp de Dracena (SP). Além disso, o comprimento do espermatozoide não está relacionado ao tamanho do bicho. O maior conhecido, por exemplo, é o da mosca-das-frutas (Drosophila melanogaster), que mede 3 milímetros e cujo espermatozoide tem 5,8 centímetros de comprimento – é como se o do homem medisse uns 33 metros (considerando alguém com 1,70 metro de altura). Estudos apontam que o tamanho do espermatozoide conta para a fecundidade: quanto maior ele for, mais rápido e com mais chances de fecundar o óvulo.

Tamanho não é documento

Compare o tamanho dos espermatozoides dos animais ampliados cem vezes

MOSCA-DAS-FRUTAS

TAMANHO – 5,8 cm

ESPÉCIE – Drosophila melanogaster

As fêmeas acasalam com vários machos e os espermatozoides travam uma dura batalha para fertilizar o óvulo. A gigantesca cauda serve para impedir que outros concorrentes atinjam o óvulo primeiro

RATO

TAMANHO – 170 µm*

ESPÉCIE – Rattus norvegicus

São 58 milhões de “sementinhas” por ejaculada – haja concorrência! Para os cientistas, este gancho na cabeça serviria para cravar nos “rivais”, levando vantagem na corrida rumo ao óvulo

HOMEM

TAMANHO – 60 µm

ESPÉCIE – Homo sapiens

O espermatozoide humano é um dos menores entre os mamíferos – mas supera o do elefante. Cada ejaculação lança uns 180 milhões deles. Ao “invadir” a mulher, sobrevivem por até 48 horas

JUBARTE

TAMANHO – 52,5 µm

ESPÉCIE – Megaptera novaeangliae

Os machos medem até 16 m e pesam cerca de 40 t. Pelo visto, porém, não precisam de gametas tão grandes para fecundar as fêmeas. Os filhotes, por outro lado, nascem com 4 m e 700 kg, em média

JARARACA

TAMANHO – 90 µm

ESPÉCIE – Bothrops diporus

A cauda, ou flagelo, é alongada nos espermatozoides da tóxica jararaca-pintada, uma das cobras mais venenosas do Brasil. Este rabo comprido dá uma turbinada na mobilidade e na velocidade

GALO

TAMANHO – 100 µm

ESPÉCIE – Gallus gallus

Os gametas do galo têm um cabeção estiloso, pontudo e afilado. A cada ejaculação, a ave lança para dentro da galinha apenas 0,5 ml de sêmen, porém com 3,5 bilhões de células reprodutoras

ELEFANTE

TAMANHO – 58,5 µm

ESPÉCIE – Elephas maximus

Se tamanho fosse documento – o animal tem cerca de 3 m de altura e pesa até 5 t -, o espermatozoide do elefante asiático teria que ser muito maior. Cada mililitro de sêmen da espécie contém 1,2 bilhão de espermatozoides minúsculos

CARNEIRO

TAMANHO – 70 µm

ESPÉCIE – Ovis aries

A cada ejaculada, 1 bilhão de gametas como este travam uma corrida desenfreada pelo útero da ovelha. Em seis minutos, chegam ao objetivo e permanecem vivos por até dois dias, lutando para fecundar o óvulo primeiro

RAIA

TAMANHO – 250 µm

ESPÉCIE – Raja eglanteria

A espécie tem um espermatozoide quase cinco vezes maior que o similar humano. A longa cauda, equivalente a dois terços do seu comprimento, permite que ele se desloque velozmente em direção ao óvulo

RÃ VENENOSA

TAMANHO – 50 µm

ESPÉCIE – Allobates femoralis

Os espermatozoides deste anfíbio amazônico têm cauda dupla, mas isso não ajuda em nada, já que eles são depositados sobre os ovos e não precisam nadar para fecundá-los

ABELHA

TAMANHO – 270 µm

ESPÉCIE – Apis mellifera

Mal dá para saber onde está a cabeça e a cauda dos espermatozoides dos zangões, já que as extremidades são quase iguais. A longevidade deles dentro das abelhas é alta, gerando “bebês” anos depois da cópula

SALAMANDRA

TAMANHO – 290 µm

ESPÉCIE – Taricha granulosa

A ejaculação da salamandra rola em etapas. Para finalizar a cópula, os machos depositam nas parceiras um espermatóforo – estrutura que parece uma cápsula, contendo milhares de espermatozoides prontos para a “guerra”.

* 1 µm = 1 mícron = 1 metro dividido por 1 milhão

Consultoria – Flávia Thomaz Verechia Pereira, veterinária da Unesp de Dracena (SP); Odair Aguiar Júnior, biólogo da Unifesp (SP); Adrian Garda, biólogo da UFRN (RN); Marcelo Emílio Beletti, biólogo da UFU (MG); Ingrid Gracielle Martins da Silva, bióloga da UnB (DF); José Lino Neto, biólogo da UFV (MG)