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Qual a diferença entre a sala de cinema comum e a digital?

A diferença não está tanto na sala em si, mas no tipo de mídia em que o filme fica gravado e no equipamento usado para fazer a projeção. Em vez da tradicional película fotográfica, o filme digital é todo transformado em código binário e fica gravado em um disco. Este, por sua vez, é lido por um computador e “traduzido” para imagens de alta definição. Quem assiste a um filme digital geralmente não nota muita diferença, mas esse tipo de projeção traz várias vantagens. Enquanto a velha película fotográfica perde a resolução quando é copiada e se deteriora com o uso – fica suja, riscada, sem cor e sem brilho -, a imagem digital conserva suas características por muito mais tempo. “Como o filme em película que chega às salas geralmente é uma cópia de terceira ou quarta geração do original, ele acaba tendo menor resolução”, diz o economista Patrick Siaretta, presidente de uma empresa especializada em equipamentos para cinema digital. Outra diferença é o som.

Nos filmes tradicionais, ele fica gravado numa estreita fita entre a perfuração da película e os fotogramas com as imagens. Como o espaço é pequeno, o som precisa ser compactado, o que faz com que uma parte das informações seja descartada. Nos filmes digitais existe memória suficiente para gravar tudo sem compressão, mantendo todas as nuances do som original. Apesar dessas vantagens, a expansão das salas digitais ainda esbarra no preço, já que cada uma delas requer um investimento em torno de 750 mil reais, valor cinco vezes maior que o gasto na abertura de uma sala comum. É por isso que hoje só existem seis cinemas digitais no Brasil, dois em São Paulo, um em Campinas (SP), um em Brasília e dois no Rio. Já nos Estados Unidos a situação é outra: a previsão é de que todos os cinemas do país estejam convertidos para o novo formato em apenas dois anos.

Próximas sessões
Com tecnologia que veio para ficar, as salas digitais serão mais versáteis

Programação variada

No futuro, além de exibir filmes, as salas também poderão projetar qualquer mídia digital, desde um simples DVD até programas ao vivo transmitidos por redes de TV que trabalhem com imagens de alta definição. Isso abrirá espaço, por exemplo, para que as salas sejam usadas como megatelões para quem quiser assistir a grandes eventos esportivos

Trabalho sossegado

O operador de projeção da sala digital só aperta o “play”. Computadores comandam tudo digitalmente. O sistema do projetor se baseia em chips cobertos por microespelhos, que refletem a luz em direção à tela. Cada espelho atinge um ponto específico, formando os pixels – ou pontos luminosos – que compõem a imagem

Invasão sonora

Como não é compactado, o som nos filmes digitais tem melhor qualidade. Na sala ele é distribuído por 14 alto-falantes. Os próximos à tela são usados para os diálogos, os laterais e os do fundo para sons ambientes e o do meio – posicionado no teto e conhecido como woofer – serve para sons mais graves, como uma espaçonave passando, por exemplo

Atração high-tech
Filmes podem chegar ao cinema via antena parabólica

1. Em vez dos rolos de película, que pesam 30 quilos, o filme digital é distribuído em leves fitas chamadas DLT. Cada uma armazena até quatro filmes de duas horas de duração. Uma antena parabólica também poderá ser usada para fazer o download dos filmes, o que reduz custos de distribuição

2. O filme recebido via DLT ou via parabólica é armazenado no disco rígido de um servidor, um computador potente que tem três discos rígidos com sistemas operacionais independentes. Se um disco falhar, o outro entra em ação, praticamente eliminando as chances de pane no meio de uma sessão

3. Ao contrário da película, cuja cópia envolve um processo complexo, um filme digital pode ser copiado num apertar de botões. Por isso, todo filme digital é encriptado (codificado) para evitar a pirataria. Após sair do servidor, ele passa por um decriptador (decodificador) antes de ser convertido em imagem no projetor