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Qual é o robô mais avançado?

Depende do critério adotado para avaliar o avanço tecnológico – e da própria definição de robô, que é polêmica. A Federação Internacional de Robótica, ONG sueca que reúne centros de pesquisa e empresas de 20 países, descreve-os como “uma máquina que opera sozinha ou parcialmente controlada, para realizar serviços úteis a humanos”. Há centenas de […]

Por Renato Domith Godinho Atualizado em 4 jul 2018, 20h17 - Publicado em 18 abr 2011, 18h54

Depende do critério adotado para avaliar o avanço tecnológico – e da própria definição de robô, que é polêmica. A Federação Internacional de Robótica, ONG sueca que reúne centros de pesquisa e empresas de 20 países, descreve-os como “uma máquina que opera sozinha ou parcialmente controlada, para realizar serviços úteis a humanos”. Há centenas de diferentes tipos de robô que se encaixam nessa definição, cada qual com seus méritos próprios. “A idéia de construir um super-robô à imagem do ser humano, capaz de imitar todas as suas funções, é coisa do passado. Hoje, a tendência é construir robôs cada vez mais especializados e, principalmente, que tenham aplicação prática”, afirma a engenheira Anna Helena Rillo, especialista em robótica da Universidade de São Paulo (USP). Mais de 95% dessas máquinas atualmente em funcionamento são robôs industriais. A maioria não passa de braços mecânicos, programados para realizarem tarefas repetitivas em linhas de montagem.

Cada setor industrial usa robôs bem específicos e eles são tantos que se torna impossível determinar qual seria o mais avançado. Seus parentes próximos são os robôs cirurgiões, braços mecânicos controlados por médicos em operações delicadas, que exigem cortes ultraprecisos. Mais curiosos, embora ainda sejam minoria, são os modelos feitos para interagir com nós, humanos, imitando nossos gestos. Os chamados robôs humanóides, ou andróides, já conseguem subir escadas – como o incrível Asimo, da Honda – e até são capazes de aprender coisas novas a partir de tentativas e erros próprios – como o Cog, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Mas quem disse que robô tem que parecer gente? A principal promessa para o futuro são os nanorrobôs, que devem revolucionar a medicina e a indústria: máquinas construídas átomo por átomo, em escala nano (1 bilhão de vezes menor que 1 metro), ou seja, do tamanho de moléculas grandinhas.

Esses aparelhos minúsculos poderão, por exemplo, entrar em nosso corpo e ajudar o sistema imunológico a combater doenças. Mas não espere vê-los em ação tão cedo. Os pesquisadores mais otimistas prevêem avanços significativos na nanotecnologia só para a segunda metade deste século.

Primeiros da classe
As seis diferentes categorias de robô e o principal destaque em cada uma delas

HUMANÓIDE – ASIMO

Para nós, humanos, caminhar é uma das coisas mais naturais – mas fazer um robô se equilibrar sobre duas pernas quebrou a cabeça dos engenheiros durante mais de duas décadas. Em 1996, a japonesa Honda surpreendeu o mundo ao anunciar o P2, robô humanóide que imitava a passada humana de forma elegante. Os robôs anteriores, além de viverem tropeçando, caminhavam desajeitados como bebês aprendendo a andar. Recentemente, esse protótipo de 210 quilos deu lugar ao Asimo, que pesa apenas 45 quilos e tem 1,20 metro de altura. Ele ainda não está à venda, mas pode ser alugado por empresas que queiram usá-lo em eventos promocionais

INTERATIVO – MINERVA

Criação do Instituto de Robótica da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos – um dos principais centros de pesquisas do gênero -, a robô Minerva atualmente é empregada como guia do museu da universidade. Sem precisar de nenhum humano para controlá-la, ela conduz os visitantes aos diferentes setores do prédio e, a cada parada, fornece as explicações necessárias. Se, por acaso, o pessoal se amontoar demais à sua volta, ela pede licença – com a máxima educação

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AUTODIDATA – COG

Em inglês, o nome quer dizer “engrenagem”, mas também serve como abreviatura de “cognição”, que é a capacidade de adquirir conhecimento. Alojado no laboratório do famoso cientista Rodney Brooks, no MIT, nos Estados Unidos, o Cog é um projeto experimental para testar programas de aprendizagem. Ele não só percebe a presença de humanos e interage com eles, como identifica e agarra objetos, martela pregos e serra tábuas. O melhor de tudo: seus movimentos não foram diretamente programados, mas sim aprendidos por tentativa e erro.

INDUSTRIAL – PERFORMARC

Produzido pela japonesa Panasonic, um dos maiores nomes da indústria mundial de eletrônicos, ele trabalha na solda de peças, um dos usos mais comuns para robôs industriais. Seu braço mecânico, com a chama de solda na ponta, tenta reproduzir a versatilidade de um soldador humano. Ele pode ser programado para trabalhar em diversos tipos de indústria. A adaptação, porém, não é fácil e existem empresas especializadas apenas em preparar o robô para linhas de montagem específicas

DOMÉSTICO – AIBO

Lançado originalmente em 1999, o cão-robô da Sony fez tanto sucesso que a empresa foi obrigada a triplicar a tiragem inicial de 10 mil unidades. A segunda geração, possivelmente o mais avançado robô de entretenimento produzido em massa, pode até tirar fotos e ler e-mails em voz alta. Sua característica mais impressionante é desenvolver diferentes personalidades conforme a maneira como é tratado pelo dono. Além disso, foram produzidos diversos softwares e outros acessórios que aumentam as capacidades de Aibo e essa versatilidade fez com que diversas instituições de pesquisa o adotassem para testar seus programas de inteligência artificial

CIENTÍFICO – MARS LAND ROVER

Em junho de 2003, duas naves espaciais deverão, mais uma vez, aterrisar em Marte. Após o pouso, cada uma delas soltará um carro-robô de 1,5 metro de altura. Bem mais sofisticados que o Sojourner, o primeiro robô desse tipo a percorrer o planeta vermelho, esses dois Mars Land Rover são descritos pela Nasa como verdadeiros geólogos automatizados. O braço mecânico que possuem é capaz de recolher amostras de terreno – e o robô ainda limpa e descasca as pedras com uma ferramenta antes de examiná-las com uma série de instrumentos científicos

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