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Quando surgiu o festival de Parintins?

Esse festival cultural, que hoje é uma das maiores festas regionais do Brasil, começou oficialmente em 1965. Desde então, o evento se repete todo mês de junho. Neste ano, a balada rolou entre os dias 28 e 30 de junho. O nome da festa vem do lugar onde ela acontece – a ilha de Parintins, […]

Por Cíntia Cristina da Silva Atualizado em 4 jul 2018, 20h29 - Publicado em 18 abr 2011, 18h48

Esse festival cultural, que hoje é uma das maiores festas regionais do Brasil, começou oficialmente em 1965. Desde então, o evento se repete todo mês de junho. Neste ano, a balada rolou entre os dias 28 e 30 de junho. O nome da festa vem do lugar onde ela acontece – a ilha de Parintins, às margens do rio Amazonas, a 420 quilômetros de Manaus. O festival bebe em uma rivalidade iniciada há quase cem anos, quando dois grandes grupos – os “bois” – começaram a representar nas ruas de Parintins o folclore do boi-bumbá, uma variação do bumba-meu-boi nordestino. Com fantasias, músicas e alegorias, os bois encenam a lenda de Catirina, uma roceira que estava grávida e com desejo de comer língua de boi. Para satisfazê-la, seu marido, Negro Francisco, sacrifica o boi favorito do patrão, que ameaça matar o coitado. Quem salva tudo é um pajé, que ressuscita o chifrudo e garante um final feliz. O primeiro boi a representar essa história foi o Garantido, fundado em 1913. Nove anos depois, em 1922, apareceu o boi Galante, renomeado como Caprichoso em 1925. O Garantido, que usa o vermelho, é conhecido como “boi do povão”, por ser bem popular e manter o ritmo tradicional das músicas típicas. O Caprichoso, adepto do azul, é o “boi da elite” e tem canções mais aceleradas e modernas. Nos primórdios, a disputa era informal e rolava no centro da cidade. A coisa virou uma superprodução comparável aos desfiles das escolas de samba do Rio em 1988 com a construção do “bumbódromo”, uma megaarena onde rolam as apresentações. Nas três noites de disputa, o espetáculo chega a atrair 100 mil pessoas.

A festa tá bumbando
Lenda do boi-bumbá sustenta a disputa entre os grupos Caprichoso e Garantido

AS TORCIDAS

A torcida de cada boi ocupa metade do bumbódromo e participa ativamente do desfile. Quando seu boi está na arena, vale caprichar na coreografia e na animação para garantir pontos no desfile. Quando é a vez do boi contrário, silêncio total. Se um adversário vaiar, seu boi perde ponto

OS PARTICIPANTES

Cerca de 3 500 integrantes de cada boi desfilam por noite, divididos em 30 “tribos” — o equivalente às alas de uma escola de samba. Os destaques são a porta-estandarte, que leva o símbolo do boi, e a cunhã-poranga, que representa a índia mais bonita da tribo

A ARENA

No formato de uma cabeça de boi estilizada, o “bumbódromo”, a arena do espetáculo, abriga 35 mil pessoas. Só 5% dos ingressos são vendidos, a preços entre 250 e 330 reais. O resto dos ingressos é cedido de graça para as torcidas dos bois

O JÚRI

O boi vencedor de cada ano é decidido por um grupo de nove jurados, em geral especialistas em antropologia e folclore. Eles avaliam 21 itens, como desempenhodo apresentador, ritmo das baterias, evolução do boi-bumbá e a beleza das alegorias

A DURAÇÃO

Cada boi desfila por três noites, em apresentações de duas horas e meia — a cada dia, mudam as alegorias e as alas. As coreografias de cada boi são ensaiadas durante seis meses nos chamados “currais”, o equivalente às quadras das escolas de samba

O APRESENTADOR

Cada boi tem um apresentador ou “mestre-de-cerimônias”, que narra com um microfone cada passo do enredo desenvolvido com as alas e alegorias. Neste ano, o boi Caprichoso trouxe um apresentador de 17 anos, que é irmão do mestre-de-cerimônias do Garantido

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AS CORES

Os amazonenses levam a sério a rivalidade entre Caprichoso e Garantido, expressa principalmente nas cores. Os jurados usam canetas verdes para não rolarem dúvidas sobre imparcialidade. Na festa, tem até Coca-Cola azul para os fãs do Caprichoso!

AS ALEGORIAS

Como no carnaval do Rio, as alegorias são carros empurrados por cerca de 300 pessoas. O espetáculo é grandioso: as gigantescas representações de personagens do boi-bumbá chegam a ter entre 35 e 40 metros de comprimento e 12 de altura

AS MÚSICAS

No Rio, cada escola apresenta um samba-enredo único. Em Parintins, cada boi canta de 15 a 22 toadas — canções típicas curtas e de melodia simples sobre a lenda do boi-bumbá. Para acompanhar a letra, cada boi conta com uma bateria de 400 a 600 músicos

Os lados da disputa

BOI GARANTIDO

CORES – Vermelho e branco

QUANDO SURGIU – 1913

TÍTULOS – 24

CAPRICHOSO

CORES – Azul e branco

QUANDO SURGIU – 1925

TÍTULOS – 16

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