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Quem foi Tamerlão, o sangrento imperador mongol

O líder turco-mongol assassinou milhares de inocentes para fundar um império gigante. E só tombou perante um inimigo insuspeito

Por Luiz Romero - Atualizado em 17 jul 2018, 18h17 - Publicado em 28 set 2015, 15h40

1. Tamerlão (ou Timur) nasceu em 1336 numa região chamada Transoxiana, no atual Uzbequistão. Era filho do chefe de uma pequena tribo mongol chamada Barlas, que fazia parte do império fundado pelo famoso líder Genghis Khan – inspiração de Tamerlão para a criação do Império Timúrida no futuro

2. Quando jovem, Tamerlão roubava ovelhas. Foi nessa época que sofreu um ataque marcante: tomou duas flechadas, uma no ombro, outra na cintura – atiradas provavelmente por um pastor contrariado. O jovem perdeu os movimentos do braço e da perna direitos, ficando conhecido como Timur, o Manco (ou “Timur the Lame”, que depois viraria Tamerlane e seria traduzido como Tamerlão)

3. Já adulto, foi nomeado ministro de Transoxiana. Ganancioso, se juntou ao cunhado, Amir Husayn, e derrubou o governador, que estava acima dele na hierarquia. Alguns anos depois do golpe, em 1370, veio a traição: atacou a cidade que Husayn comandava, ordenando a morte de seu antigo aliado

4. Depois da conquista da cidade chefiada por Husayn, chamada Balkh e localizada no Afeganistão, Tamerlão virou um conquistador e apropriou-se de diversas cidades próximas. Hábil comandante e político, ele era capaz de unir soldados de origens diversas sob a mesma bandeira e de manter seu governo com alianças e traições. Ficou conhecido pela inteligência e, claro, pela crueldade

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Curiosidade: Ele afirmava estar resgatando a grandiosidade do Império Mongol ao construir seu próprio reinado

5. Tamerlão passou a desejar fronteiras mais distantes. Em 1383, invadiu a Pérsia (onde hoje fica o Irã). Durante a década seguinte, enquanto estava longe dominando regiões da Rússia e arredores, os persas iniciaram revoltas contra o Império Timúrida. Ele retornou enfurecido: dizimou cidades, assassinou populações inteiras e, para completar, construiu torres com o crânio das vítimas

6. Em 1391, invadiu a Índia, então comandada por muçulmanos. Por onde passava, o exército invasor dizimava cidades e massacrava inocentes. Depois de destruir Déli, a capital, Tamerlão roubou dezenas de elefantes. Esses animais fizeram o extenso caminho de volta para Samarkand, a capital do império, carregando pedras gigantes para construir uma mesquita em homenagem ao conquistador

7. A partir de 1401, Tamerlão voltou os olhos para o atual Oriente Médio. Destruiu Aleppo e Damasco e dominou Bagdá, no Iraque, matando milhares e demolindo monumentos e mesquitas. O imperador variava nas crueldades: os vencidos podiam ser decapitados, crucificados, cimentados pela cintura em paredes (ainda vivos) ou pisoteados por cavalos. Quem sobrasse era escravizado

8. O Império Otomano foi o próximo conquistado. Na cidade de Sivas, ele pediu que a população se entregasse e prometeu não matar ninguém. De fato, não matou: depois de rendidos, todos foram enterrados vivos. Tamerlão ainda sequestrou o sultão otomano, gerando uma guerra civil entre os herdeiros do trono que durou uma década

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9. Em 1404, o chefe do Império Timúrida já comandava um vasto pedaço da Ásia Central. Ambicioso, decidiu invadir a China. Mas não contava com um rival: o frio. Partiu com seu exército em dezembro, época do inverno. Viajou durante meses, mas adoeceu na metade do caminho e morreu em Otrar, no Cazaquistão, em 1405. Seu corpo foi levado para Samarkand

10. Seu túmulo dizia: “Quando me erguer da tumba, o mundo tremerá”. Em junho de 1941, ela foi aberta pelos russos, sob protestos do povo, que temia uma maldição. Dito e feito: dois dias depois, a União Soviética foi invadida pelos nazistas. Quando o enterraram de novo, em dezembro de 1942, teve início a derrocada alemã

QUE FIM LEVOU?

Morreu em 1405, a caminho da China, após mais de três décadas de batalhas constantes e nenhuma grande derrota. Seu império, comandado pelos filhos e netos, não durou muito depois de sua morte

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FONTES Livros Tamerlane: Sword of Islam, Conqueror of the World, de Justin Marozzi, e The Rise and Rule of Tamerlane, de Beatrice Forbes Manz; sites Enciclopaedia Britannica, History Today e BBC

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