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Um conflito no Oriente Médio pode dar início à Terceira Guerra?

Provavelmente, não. O conflito entre a organização terrorista árabe Hizbollah e Israel, que levou a mais de mil mortos no Líbano e mais de cem em Israel entre os meses de julho e agosto, pode envolver mais cinco ou seis países, mas não tem potencial para comprometer as grandes potências mundiais. “O que pode acontecer, neste caso, é um agravamento regional. A guerra pode eventualmente envolver a Síria, que apóia o Hizbollah, ou o Irã, que é a fonte do armamento dos árabes. Uma guerra mundial está fora de cogitação”, afirma o cientista político Antonio Carlos Peixoto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. A possibilidade de um confronto de grandes proporções hoje é bem mais remota do que, digamos, há 20 anos, quando o mundo ainda era dividido entre duas potências, Estados Unidos e União Soviética, que viviam a guerra fria. Esses dois países detinham um enorme poderio militar e, no caso de um conflito, eram capazes de arrastar para a briga vários países de sua órbita de influência. “Com o colapso da União Soviética, a única potência estratégico-militar são os Estados Unidos. Os outros países estão bem distantes”, diz Antonio Carlos. A intervenção mais efetiva da ONU, a Organização das Nações Unidas, também é outro fator que inibe conflitos de maior proporção. Na briga entre árabes e israelenses, por exemplo, a organização intercedeu e acabou conseguindo que os inimigos assinassem um termo de cessar-fogo para encerrar a guerra. Isso não significa, porém, que o mundo virou um lugar mais tranqüilo. Pelo contrário: aqui e ali, ainda pipocam no globo conflitos de tirar o sono de qualquer pacifista. Na ilustração ao lado, a gente conta a história de três dessas brigas e de três casos que podem virar briga a qualquer momento.

Sem chance para a paz
Continente asiático é o principal foco de guerras nos dias de hoje

Iraque x Estados Unidos

Razão de briga – A invasão americana ao Iraque em 2003 foi justificada pela suposta existência de armas de destruição em massa no país. As armas nunca foram encontradas, mas os combates entre iraquianos insurgentes (principalmente os sunitas, os muçulmanos ortodoxos, que são minoria no país) e os americanos continuam

Aliança – Austrália, Itália, Espanha e Inglaterra (Estados Unidos)

Israel x Hizbollah

Razão de briga – Criado em território também reivindicado pelos árabes após a Segunda Guerra Mundial, em 1948, o Estado de Israel já nasceu em guerra. A mais recente delas é contra o Hizbollah, grupo xiita libanês fundado em 1982. Em agosto, os dois inimigos aceitaram um cessar-fogo imposto pela ONU, mas ninguém sabe quanto tempo a paz vai durar

Aliança – Síria e Irã (Hizbollah), Estados Unidos (Israel)

Afeganistão x Estados Unidos

Razão de briga – Após os atentados terroristas de 2001, os Estados Unidos invadiram o país à procura de Osama Bin Laden, chefe da rede terrorista Al Qaeda, que supostamente tinha bases no Afeganistão. Os americanos deram a guerra por terminada, mas as milícias talibãs, apoiadoras de Bin Laden, se reorganizaram e continuam fazendo atentados suicidas

Aliança – Inglaterra (Estados Unidos)

Paquistão x Índia

Razão de briga – Desde que os dois países se separaram do Império Britânico em 1947, a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana, já entraram em guerra três vezes na disputa pela região fronteiriça da Caxemira. Ambos os países possuem arsenais nucleares, o que aumenta a tensão

Aliança – Países muçulmanos (Paquistão)

Coréia do Norte x Coréia do Sul

Razão de briga – Desde o fim da Guerra da Coréia, que causou a divisão do país em Norte (comunista) e Sul (capitalista), em 1953, as tensões entre a Coréia do Norte e a “irmã” do Sul não cessaram. Em julho deste ano, os comunistas testaram mísseis de longo alcance (que poderiam atingir o Alasca e o Japão) e não escondem de ninguém seu arsenal nuclear

Aliança – China e Rússia (Coréia do Norte), Estados Unidos e Japão (Coréia do Sul)

Taiwan x China

Razão de briga – Desde 1949, Taiwan se separou da China, que não aceitou muito bem essa independência e continua considerando a ilha sua 23ª província. Para a China continental, que já conseguiu de volta os “rebeldes” Hong Kong, em 1997, e Macau, em 1999, é questão de honra recuperar também o governo de Taiwan

Aliança – Se houver guerra, é provável que os demais países apóiem Taiwan

Brazuca sussa
Hoje, Brasil só vai para a guerra em missão de paz

Atualmente, a participação do Brasil no cenário bélico mundial se resume à presença de tropas em missões de paz. A missão mais famosa é a do Haiti – cerca de 6 900 militares brasileiros foram chamados para conter uma guerra civil no país, iniciada em 2004. Os soldados brasileiros também estão em missões para remoção de minas na fronteira entre Peru e Equador, na Nicarágua, Guatemala, Honduras e Costa Rica, e em operações da ONU na Costa do Marfim, na Libéria, no Chipre, no Sudão e na Guiné-Bissau.