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Preços fora da realidade já criaram revoltas positivas. Agora é diferente

Revoltas causadas por impostos altos e aumentos de preços reescreveram o destino da humanidade. Só que desta vez há um bem maior em jogo.

Por Bruno Garattoni Atualizado em 29 Maio 2018, 18h59 - Publicado em 29 Maio 2018, 18h57

Em 1773, o parlamento inglês aprovou uma lei para salvar a Companhia Britânica das Índias Orientais. A empresa foi autorizada a vender chá nos Estados Unidos sem pagar imposto. Com isso, passou a monopolizar o mercado americano, dizimou o comércio local e revoltou os colonos, já agravados por taxas impostas nos anos antecedentes. A tensão culminou na chamada Festa do Chá de Boston, quando americanos invadiram navios destruíram todo um carregamento de chá. Animados, eles se insuflaram contra a Coroa inglesa – e três anos depois, em 1776, alcançaram a independência.

No final do século 18, o ouro de Minas Gerais já escasseava. Mas Portugal, nossa metrópole, não queria nem saber: cada região exploradora de ouro deveria gerar 1.500 quilos do metal por ano, ao todo, para os portugueses – o equivalente a R$ 225 milhões em valores atuais. Quem não pagasse sua cota tinha os bens confiscados por soldados da Coroa. Isso gerou um mal-estar generalizado e resultou na Inconfidência Mineira, em que o Brasil desafiou o poder imperial de Portugal.   

Em 2013, um grupo de estudantes se mobilizou contra aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus em São Paulo. Isso levou a uma reação em cadeia, que causou a maior onda de protestos populares da nossa história recente. Não havia uma agenda política nessas manifestações. A revolta, porém, colocou de novo na pauta pública a ideia de sair às ruas para mostrar insatisfação. Coisa que a população voltaria a fazer mais tarde, só que desta vez dividida entre os protestantes que vestiam amarelo e os que usavam vermelho, numa divisão que já existia, mas que acirrou-se. 

São três situações diferentes, com causas, atores, motivações (claras e ocultas), fatores deflagradores e consequências díspares. Não são comparáveis, exceto em um ponto extremamente nítido: em todas, medidas econômicas impopulares acabaram sendo estopim de uma revolta maior, que acabou tendo desdobramentos políticos profundos.

Em cada momento, algo distinto estava em jogo. Agora, a julgar pelas manifestações de caminhoneiros que se mantêm paralisados pedindo o que chamam de “intervenção militar”, é o próprio conceito de democracia que está a perigo. Democracia que compreende, além da realização de eleições diretas e justas, o próprio direito de cada setor da sociedade dizer o que bem entender – mesmo nos casos em que isso, para além de atentar contra os próprios interesses de quem o expressa, for uma tremenda bobagem. Com “intervenção militar”, afinal, a própria greve jamais teria existido.

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