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30% dos gastos médicos são desnecessários – e 20% das cirurgias também

Por Fernanda Ferrairo e Bruno Garattoni Atualizado em 13 nov 2019, 12h43 - Publicado em 4 ago 2016, 17h31

20 SEGREDOS QUE OS MÉDICOS NÃO CONTAM
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No Réveillon de 2011, o carioca Marcio Alexandre Calhau, de 40 anos, sentiu uma forte dor nas costas. Procurou um médico, que o diagnosticou com hérnia de disco. Ele começou a tomar anti-inflamatórios e fazer fisioterapia. Quatro meses depois, não estava melhor, e o médico sugeriu um procedimento simples: injeções de corticoide na coluna. Marcio ficou dois dias no hospital e saiu com mais dores do que antes.

No total, passou por oito intervenções cirúrgicas nos últimos quatro anos. Cada uma delas piorou um pouco seu estado. “Virou um pesadelo. Sinto dores agudas e constantes”, relata. Hoje ele não trabalha e mal sai de casa. Seu caso ilustra um grande problema da medicina moderna: o excesso de procedimentos. Entre os médicos, essa tendência é chamada de “procedimentalização”. Ela é consequência de dois fatores.

O primeiro é a própria evolução da medicina, que dispõe de cada vez mais ferramentas para tratar as pessoas (e as utiliza mais vezes). O outro é a estrutura do sistema de saúde, que coloca incentivos financeiros para que haja mais procedimentos (pois os hospitais são pagos de acordo com a quantidade deles, e não com a saúde do paciente).

Uma investigação feita em 2012 pelo jornal USA Today, que analisou os prontuários de milhares de pessoas, apontou que até 20% das cirurgias realizadas são desnecessárias (principalmente em áreas como ortopedia e cardiologia). Segundo a American Board of Internal Medicine, que criou um projeto para coibir o excesso de operações, 30% dos gastos em saúde vão para procedimentos desnecessários.

No Brasil, o hospital Albert Einstein criou o Projeto Coluna, em que médicos oferecem uma segunda opinião para pacientes aos quais foi sugerido fazer cirurgia. Em 60% dos casos, a pessoa acaba desistindo da operação.

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