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70% dos remédios de canabidiol vendidos online têm concentração errada

26% deles são mais concentrados do que deveriam – 42%, menos. Um problema de dosagem grave considerando que medicamentos à base de maconha são usados para tratar crianças com epilepsia

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 nov 2017, 17h27 | Atualizado em 2 jul 2026, 17h36
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O canabidiol – uma das substâncias químicas presentes na maconha (Cannabis sativa) – tem vários efeitos terapêuticos comprovados, e seu uso para o tratamento de algumas doenças já é autorizado inclusive no Brasil. Em janeiro deste ano, a Anvisa aprovou o registro do primeiro medicamento à base da planta no país: o Mevatyl, recomendado para o tratamento de espasticidade (tensão excessiva dos músculos), um problema associado à esclerose múltipla. Em outros países, a substância já é usada até em analgésicos e anti-inflamatórios.

Acontece que essa rápida ascenção d0 canabidiol na indústria farmacêutica – nos próximos três anos, calculam especialistas, a droga movimentará mais de 2 bilhões de dólares no mundo todo – não está sendo acompanhada com eficiência pelas agências reguladoras. Um estudo publicado nesta semana revelou que 70% dos rótulos de remédios à base de maconha vendidos na internet indicam errado a concentração da droga – 26% deles para cima, 42% para baixo.

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O problema é especialmente grave nos EUA, em que cada um dos 50 estados está livre para adotar sua própria legislação em relação à droga. “O grande problema do canabidiol não ser legalizado no nível federal é que sua qualidade não é acompanhada pela Food and Drug Administration [órgão norte-americano análogo à Anvisa]”, explicou em comunicado Marcel Bonn-Miller, psicólogo da Universidade da Pensilvânia. “Atualmente, não há parâmetros para produzir, testar e etiquetar esses produtos. É uma loucura haver menos regulamentação disponível para um medicamento usado com crianças muito doentes do que para uma barra de chocolate.”

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Para chegar às conclusões, os pesquisadores testaram, ao longo de um mês, 81 remédios de 31 empresas, todos comprados online. Eles pertenciam a basicamente três categorias: óleos, líquidos para inalação e as chamadas “tinturas” – extratos à base de álcool que são consumidos por via oral. As doses não eram a única coisa errada na bula: 21% deles continham, além do canabidiol em si, doses consideráveis de THC – outra substância presente na planta, que é principal responsável por deixar os usuários, em bom português, chapados.

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“Esse medicamento é usado com frequência em crianças com epilepsia, então muitos pais podem estar dando THC a seus filhos sem terem consciência disso”, afirma Bonn-Miller. “Pesquisas futuras devem focar em avaliar se as pessoas estão prestando atenção nessa questão e encorajar a regulação nessa indústria que está se expandindo rapidamente”.

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