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A bíblia da psiquiatria

Como o número de transtornos previstos cresceu em 6 décadas

Por Willian Vieira 16 Maio 2016, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 19h05

Como grande parte da ciência hoje, a classificação dos transtornos mentais tem os dois pés fincados na Segunda Guerra, quando o governo americano tentava tratar os soldados vindos da batalha com a cabeça bagunçada. Dos 11 milhões de homens e mulheres que serviram à época, 1 milhão foi diagnosticado com algum transtorno psiquiátrico. Com base nesses casos, o Exército concluiu em 1946 um manual que classifica 47 transtornos mentais. A Associação Americana de Psiquiatria (APA) pegou o texto, deu um tapinha e o publicou em 1952 como Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais – o DSM, sigla inglesa. Nascia o guia definitivo dos transtornos mentais.

Em quase 6 décadas, o DSM abandonou a psicanálise de Freud para adotar diagnósticos baseados em listas de sintomas. Basta o paciente se encaixar em certo número desses critérios para o psiquiatra enquadrá-lo em um transtorno correspondente. Críticos dizem que isso ignora as causas dos transtornos (a maioria continua desconhecida) e leva à medicalização de quem não é doente – para o bem da indústria farmacêutica. Ao mesmo tempo, o guia atravessou fronteiras e se tornou um padrão global. Queiram ou não os pajés, os sacerdotes taoístas, pretos velhos e exorcistas, agora depressão é depressão, e esquizofrenia é esquizofrenia.

Para saber mais 

A História da Loucura na Idade Clássica 
Michel Foucault, 1997, Perspectiva. 

A Loucura e as Épocas 
Isaias Pessotti, 1994, Editora 34.

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