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A fórmula do refrigerante tem cocaína

Provavelmente não. Mas algumas pessoas acreditam que já teve. Antes de se indignar com essa afirmação, vale lembrar qual era o panorama da medicina no século 19, quando surgiu a fórmula da Coca-Cola. Naquela época, a coca (a planta, bem entendido) era tida como um fármaco milagroso. Foi um químico alemão quem conseguiu isolar de suas folhas o extrato de cocaína. Logo, seus poderes terapêuticos começaram a ser difundidos para o tratamento das mais diversas doenças, de asma a histeria. Até como anestésico local a cocaína chegou a ser utilizada naquela época.

Décadas mais tarde, o farmacêutico americano John Styth Pemberton criou a fórmula da bebida que seria batizada de Coca-Cola. Segundo alguns relatos, ela continha cocaína (60 miligramas em cerca de 240 mililitros). Naquela época, ainda não se conheciam seus efeitos danosos nem se desconfiava de que poderia levar à dependência química. Uma vez estabelecida essa relação, a substância teria sido retirada da fórmula, no início dos anos 1900. Quem conta a história é Pedro Eugênio Mazzucchi Ferreira, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e um dos autores de Cocaína: Lendas, História e Abuso, artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria. Nada disso, claro, tem confirmação oficial. Segundo a assessoria da marca, “a fórmula da Coca-cola é o segredo industrial mais bem guardado do mundo. Exatamente por isso a empresa não comenta esse assunto”.