Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

As técnicas mais absurdas já adotadas contra transtornos mentais

Indução a ataques epiléticos, injeção de sangue contaminado e lobotomia. A medicina já praticou - e premiou - práticas desoladoras

Por Willian Vieira Atualizado em 31 out 2016, 19h05 - Publicado em 16 Maio 2016, 22h00

Ao longo do século XX, médicos colocaram em prática diversas técnicas para tentar combater os transtornos mentais. Algumas delas não tinham nada de são – pelo contrário. Mesmo assim, renderam até prêmios Nobel. 

1. MALARIOTERAPIA 

O psiquiatra austríaco Julius Wagner-Jauregg observou que pacientes com transtornos mentais, especialmente os decorrentes da sífilis, melhoravam quando tinham febre. Então passou a injetar sangue contaminado de pacientes com malária – a febre alta decorrente faria o resto. Isso rendeu a Jauregg o Nobel de Medicina em 1927.

2. BANHO­TERAPIA 

O doente era imerso em uma banheira de água gelada. Depois, enrolado em lençóis molhados. Achava-se que o choque térmico aumentaria o “sentimento de corporalidade” em esquizofrênicos. Isso porque é comum o esquizofrênico achar que parte de seu corpo não lhe pertença, o que pode levar a mutilações, como arrancar os olhos.

3. COMA DE INSULINA 

Foi introduzido em 1933. Injetavam-se altas doses de insulina no paciente, 6 dias por semana, por até dois anos. Isso derrubava o nível de glicose, levando ao coma. Uma hora depois, o paciente recebia uma dose de glicose. Convulsões eram comuns. Bizarro, mas isso reduzia a “hostilidade” dos pacientes.

Continua após a publicidade

4. CARDIAZOL 

Médicos concluíram que convulsões eram benéficas. Então um psiquiatra húngaro teve em 1934 a ideia de aplicar um estimulante cardíaco que, em altas doses, levava ao ataque epiléptico. Só que, até perder a consciência, a pessoa sofria até 3 minutos de um terror indescritível. A técnica foi derrubada pelo eletrochoque, em 1938.

5. PSICO­CIRURGIA 

Em 1935, o português António Egas Moniz experimentou cortar as conexões do córtex pré-frontal injetando álcool por um buraco para danificar tecidos cerebrais. Pacientes ficavam totalmente apáticos – e Moniz ganhou o Nobel. A melhoria da técnica – a lobotomia – virou regra em manicômios até os anos 1970.

Para saber mais 

A História da Loucura na Idade Clássica 
Michel Foucault, 1997, Perspectiva. 

A Loucura e as Épocas 
Isaias Pessotti, 1994, Editora 34.

Continua após a publicidade
Publicidade